Trump diz que retomada de ataques contra o Irã é "altamente improvável"
Repórter
Publicado em 8 de novembro de 2026 às 17h15.
Donald Trump afirmou que novos ataques contra o Irã são "altamente improváveis", condicionando isso ao progresso nas negociações sobre o programa nuclear iraniano e à reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA destacou a fraqueza econômica do Irã e a posição militar preparada dos EUA, mas expressou preferência por soluções diplomáticas. O impasse entre os dois países persiste, com atividades militares limitadas e esforços diplomáticos em andamento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 8, que é "altamente improvável" que precise ordenar que o país volte à guerra contra o Irã, desde que haja progresso nas negociações sobre o programa nuclear de Teerã e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Durante uma entrevista de 20 minutos à emissora CNN, o republicano repetiu a afirmação cinco vezes.
"Depende de eles assinarem ou não um acordo muito forte", declarou Trump, referindo-se ao governo iraniano. "A resposta é que é altamente improvável que seja necessário. Eles são uma nação em colapso. Acabou de sair, vocês viram neste ano, uma inflação de 301%. Altamente improvável que seja necessário. Eu faria se fosse preciso, mas nós os atingimos com muita força. Vocês não sabem o quão forte nós batemos."
"Eles estão definhando financeiramente. Nós os atingimos militarmente. Poderíamos acabar com eles", acrescentou o mandatário.
Oito meses após o início da guerra, os dois lados enfrentam um impasse. O cenário recente é marcado por poucas ações militares diretas e lentidão diplomática, enquanto navios petroleiros que cruzam o Estreito de Ormuz continuam sendo alvo de ataques iranianos.
Autoridades dos dois países e do Catar, que atua como mediador das conversas, têm mantido silêncio sobre o andamento das negociações.
No entanto, a ala linha-dura do regime iraniano tem interpretado o resultado das eleições de meio de mandato americanas — impulsionado em parte pela impopularidade do conflito entre os eleitores dos EUA — como um sinal de enfraquecimento do governo Trump.
Para Teerã, a nova correlação de forças forçaria Washington a ceder às demandas persas: a manutenção do controle do estreito e a continuidade de seu programa nuclear, que o Irã alega ter fins puramente energéticos.
Paralelamente, o país persa luta para vender petróleo bruto nos mercados globais sob o peso das sanções americanas, enquanto bilhões de dólares em ativos mantidos em bancos estrangeiros continuam congelados.
Apesar de já ter emitido sinais mistos sobre sua disposição de encerrar o conflito, Trump deixou claro na entrevista que as Forças Armadas americanas estão posicionadas na região caso ele dê a ordem de ataque. "Estamos prontos para isso. Tenho três porta-aviões lá. O último acabou de chegar. Eles estão totalmente carregados e preparados", alertou.
O presidente revelou ainda que os EUA já identificaram os alvos de infraestrutura no interior do Irã em caso de retomada militar, incluindo usinas de energia e pontes. "Temos 38 pontes em nossa mira que podemos derrubar em literalmente uma hora. Todas cairiam."
Trump ponderou, contudo, que preferiria não destruir a infraestrutura civil iraniana. "Eu não quero fazer isso porque, essencialmente, levará 10 anos para reconstruí-las", disse. "Não gosto de derrubar pontes. A coisa mais difícil de se construir é uma ponte. Leva anos, e eu sou um bom construtor."
A atividade diplomática em todo o Oriente Médio se intensificou desde a última terça-feira, 3, após o fechamento das urnas legislativas nos EUA.
Na sexta-feira, 6, o Catar informou que Trump telefonou para o emir Tamim bin Hamad Al Thani para discutir a desescalada das tensões.
Um dia antes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversou com seus homólogos de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Paquistão, Kuwait, Jordânia, Turquia, Chipre e do próprio Catar.
Sobre a capacidade de defesa de Teerã contra novos ataques dos Estados Unidos, o republicano afirmou que o sistema antiaéreo rival foi aniquilado. "Eles não podem nos parar porque não têm equipamento antiaéreo. Toda a defesa antiaérea deles acabou."
O presidente também forneceu novos detalhes sobre a situação dos estoques militares do país inimigo, estimando que o regime mantenha apenas 10% de sua capacidade de mísseis e 15% de sua frota de drones. "A única coisa que eles podem fazer é operar nesse nível de 10% — fabricar alguns mísseis e drones. Drones em cerca de 15%, porque a maior parte de suas fábricas desapareceu."
"Muito provavelmente não será necessário [atacar]", repetiu Trump sobre a perspectiva de uma nova ação militar. "Eles querem muito fechar um acordo."