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Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai, é preso após impeachment

Detenção acontece no mesmo dia em que o Senado aprovou seu impeachment, motivado pela crise financeira do Ueno Bank

Santiago Peña: presidente do Paraguai renunciou nesta quinta-feira, 5 (Federico PARRA / AFP)

Santiago Peña: presidente do Paraguai renunciou nesta quinta-feira, 5 (Federico PARRA / AFP)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 20h19.

Última atualização em 7 de novembro de 2026 às 02h08.

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Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso após impeachment aprovado pelo Senado. A detenção ocorre no mesmo dia em que o vice Pedro Alliana assume a presidência. O caso está ligado à crise financeira do Ueno Bank, com acusações de lesão de confiança e gestão irregular de recursos públicos.

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso em sua casa, em Assunção, na noite desta sexta-feira, 6, por ordem do Ministério Público.

A detenção acontece no mesmo dia em que o Senado aprovou seu impeachment, motivado pela crise financeira do Ueno Bank. Enquanto agentes da Polícia Nacional cumpriam a ordem de prisão, Pedro Alliana, o então vice, tomava posse como novo presidente do país.

Penã deverá permanecer em prisão domiciliar e à disposição da Justiça, segundo informações do jornal paraguaio ABC Color.

A investigação envolve suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes relacionados à crise do banco. A ordem de prisão foi assinada por quatro integrantes da equipe responsável e encaminhada à Comandância da Polícia Nacional.

Senado aprova impeachment de Santiago Peña

O impeachment de Peña foi aprovada pelo Senado nesta sexta-feira, 6 de novembro, por unanimidade. Além de afastar o agora ex-presidente, os senadores decidiram encaminhar o processo à Procuradoria-Geral para a abertura de investigações criminais.

O ex-presidente não compareceu ao julgamento e foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda. Antes da votação, os senadores rejeitaram um pedido da defesa para ampliar em 72 horas o prazo de votação.  

Os advogados argumentaram que o julgamento seria nulo porque Peña já havia apresentado sua renúncia ao cargo.

Renúncia não impediu impeachment

Na quinta-feira, 5, Peña anunciou sua renúncia à Presidência em um vídeo publicado enquanto a Câmara dos Deputados analisava a acusação contra ele. Mesmo com o anúncio, os 78 deputados presentes aprovaram a abertura do processo por unanimidade, segundo a EFE.

Em seguida, deputados e senadores se reuniram em sessão conjunta para deliberar sobre a renúncia. A votação, porém, não foi concluída. Parlamentares governistas do Partido Colorado deixaram o plenário, e a sessão terminou sem quórum, de acordo com a Bloomberg Línea.

Entenda a crise do Ueno Bank

A crise que levou à queda de Peña começou em 2 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai (BCP) abriu um processo de resolução do Ueno Bank. A autoridade monetária identificou que o índice de solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo exigido.

Mais de 3 milhões de contas foram congeladas, segundo o ABC Color. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, o equivalente a aproximadamente R$ 4,6 bilhões, de acordo com a Reuters.

A atuação do governo na instituição foi o centro das acusações apresentadas pelos deputados que conduziram o processo de impeachment. As denúncias foram organizadas em cinco eixos:

  • Conflito de interesses: Peña era acionista da Ueno Holding e nomeou Carlos Carvallo, ex-presidente da Ueno Financiera, para comandar o Banco Central do Paraguai.
  • Fundos de aposentadoria: cerca de US$ 344 milhões do Instituto de Previsão Social (IPS), aproximadamente R$ 1,9 bilhão, teriam sido direcionados ao banco.
  • Empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador: as operações somavam 743,8 bilhões de guaranis, cerca de R$ 637 milhões. O valor correspondia a 30% do patrimônio do banco, acima do limite legal de 20%.
  • Enriquecimento: a acusação aponta a concessão de empréstimos ao próprio Peña, incluindo um financiamento para a compra de uma casa em San Bernardino.
  • Abalo da confiança no sistema financeiro: os deputados também atribuíram ao governo responsabilidade pelos efeitos da crise sobre a credibilidade do setor bancário.

A apuração sobre o escândalo financeiro alcançou outros integrantes da instituição. O Ministério Público acusou 27 pessoas ligadas ao Ueno Bank e a empresas relacionadas. Também pediu a prisão preventiva de Miguel Vázquez, primeiro vice-presidente do banco.

Quem é o novo presidente do Paraguai?

Com a destituição de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência sem a necessidade de uma nova eleição. Pela Constituição paraguaia, ele permanecerá no cargo até agosto de 2028.

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