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Trump ameaça Honduras e pressiona apuração de eleição disputada

Eleição segue indefinida com vantagem de apenas 515 votos entre Asfura e Nasralla

Honduras: eleição apertada gera ameaça de Trump e aumenta tensão política. (Jim Watson/AFP)

Honduras: eleição apertada gera ameaça de Trump e aumenta tensão política. (Jim Watson/AFP)

Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 07h54.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 1º, que haverá “consequências graves” se Honduras tentar alterar o resultado das eleições presidenciais.

A disputa segue indefinida, com vantagem de apenas 515 votos para Nasry Asfura, candidato de direita apoiado pelo governo americano. Trump indicou que pode suspender a cooperação com o país caso o pleito não confirme a vitória do aliado.

Asfura, empresário de 67 anos e integrante do Partido Nacional, aparece com 39,91% dos votos após 57% das atas digitalizadas. Salvador Nasralla, apresentador de TV e candidato do Partido Liberal, soma 39,89%. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou o início da contagem manual, sem previsão de conclusão, e pediu paciência aos eleitores.

Nasralla classificou as declarações de Trump como resultado de “desinformação mal-intencionada”. Asfura afirmou que está pronto para colaborar com os Estados Unidos, país que abriga cerca de dois milhões de hondurenhos e é o principal parceiro comercial da nação.

Disputa ampliou tensão política e intervenção externa

A eleição ocorre após críticas da presidente Xiomara Castro, líder da esquerda, e de sua candidata, Rixi Moncada. Trump acusou Moncada de manter vínculos com Nicolás Maduro e classificou seus aliados como “narcoterroristas”. A candidata governista ficou mais de 20 pontos atrás dos primeiros colocados.

A interferência americana se intensificou quando Trump anunciou que concederá indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández. Hernández foi condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão por participação no envio de centenas de toneladas de drogas em aliança com o cartel liderado por Joaquín “Chapo” Guzmán. O governo americano considera que o político transformou Honduras em um “narco-Estado”.

Trump, no entanto, afirmou que Hernández foi alvo de uma “armação” promovida pelo ex-presidente Joe Biden. O anúncio provocou novas críticas de setores da esquerda hondurenha. Moncada declarou que o indulto teria sido “negociado” por elites locais.

Contexto social e desafios internos

A disputa entre Asfura e Nasralla se concentra na possível continuidade ou ruptura com o governo de Castro. Ambos afirmam que a permanência da esquerda poderia aproximar Honduras de crises enfrentadas pela Venezuela. Os candidatos também manifestaram disposição de reforçar relações com Taiwan, em detrimento da China.

A campanha foi marcada por acusações antecipadas de fraude, mas a votação ocorreu de forma tranquila, segundo observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Honduras depende amplamente dos Estados Unidos: 60% da população vive na pobreza e as remessas representam 27% do PIB.

Quase 6,5 milhões de hondurenhos estavam aptos a votar para escolher o sucessor de Xiomara Castro. O pleito também define deputados e prefeitos para mandatos de quatro anos.

*Com informações da AFP

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