Tiroteio em escola do Texas deixa feridos; jovem de 18 anos é suspeito

Não houve vítimas no ataque, que ocorreu na Timberview High School. Ao menos 22 ataques armados em escolas já foram registrados nos Estados Unidos neste ano
 (Nuri Vallbona/Reuters)
(Nuri Vallbona/Reuters)
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Da Redação

Publicado em 06/10/2021 às 13:25.

Última atualização em 06/10/2021 às 16:11.

Ao menos quatro pessoas ficaram feridas nesta quarta-feira, 6, após serem baleadas em uma escola em Arlington, Texas.

A polícia local identificou o suspeito de executar o tiroteio como Timothy George Simpkins, de 18 anos, que está foragido e teria fugido de carro.

O perfil oficial da polícia de Arlington no Twitter postou uma mensagem com uma foto de Simpkins e a placa de seu carro, pedindo que quem o vir contate as autoridades.

O caso ocorreu na Timberview High School, escola de ensino médio da região. Os alunos ficaram isolados nas salas após o ataque, segundo a polícia, e começaram a ser evacuados do local.

O chefe de polícia assistente de Arlington, Kevin Kolbye, disse no começo da tarde que o tiroteio foi resultado de uma briga na escola, depois da qual uma das partes teria sacado a arma. Ainda não está claro o que gerou a briga e por que Simpkins levou a arma à escola.

"Só quero enfatizar que este não é um ato de violência aleatório", disse Kolbye a repórteres.

Três das quatro pessoas feridas foram hospitalizadas com ferimentos não-letais (duas com gravidade), e uma quarta não precisou ir ao hospital. Não houve vítimas.

A polícia também tenta descobrir qual arma foi usada no crime e onde o jovem a obteve.

Atentados a escolas nos EUA

Ao menos 22 ataques armados em escolas já foram registrados nos Estados Unidos neste ano. No ano passado, com as escolas fechadas em parte do ano devido à pandemia, foram dez registros, a maioria em janeiro e fevereiro, antes das quarentenas.

Em 2019, foram 25 ataques e em 2018, 24, segundo contagem da organização independente de notícias Education Week.

Em 2018, ocorreu um dos maiores ataques da história dos EUA, na Stoneman Douglas High School, em Parkland, na Flórida: o ex-aluno Nikolas Cruz, de 19 anos, matou 17 pessoas. O caso levou a uma onda de protestos pedindo leis mais rigorosas contra compra de armas nos EUA, em movimento batizado de March for Our Lives (Marcha por Nossas Vidas), organizado sobretudo por estudantes.

Até hoje, o maior massacre em uma escola de ensino básico foi em 2012, na Sandy Hook Elementary School, em Newtown, Connecticut. A escola era voltada a alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, e as vítimas foram sobretudo crianças de seis e sete anos, além de professores e funcionários, totalizando 28 vítimas. O autor foi o também ex-aluno Adam Lanza, de 20 anos, que matou a mãe e levou suas quatro armas à escola. Lanza tirou a própria vida antes da polícia chegar ao local.

País das armas

Os Estados Unidos têm a maior taxa de homicídios com armas de fogo entre os países desenvolvidos.

Em média, há mais de uma arma para cada adulto nos Estados Unidos, segundo uma estimativa de 2016 das universidades Harvard e Northwestern. Os americanos são 4,4% da população mundial, mas possuem 42% das armas existentes.

No começo de seu mandato, o presidente Joe Biden anunciou decretos para melhorar o rastreamento de armas de fogo, especialmente de modo a prevenir a propagação das "armas fantasma", que são impossíveis de rastrear. "A violência armada neste país é uma epidemia, e é uma vergonha internacional", disse Biden na ocasião.

Mas as medidas foram vistas como modestas. O governo tem recebido pressão crescente por parte de seus aliados democratas para medidas nacionais sobre controle de armas. Além de atentados em escolas, os EUA sofreram neste ano tiroteios em massa no Colorado, na Geórgia e na Califórnia.

Ações nacionais contra a violência armada nos EUA são demandadas há anos por setores progressistas, mas costumam ser polêmicas diante da organização do país, em que estados têm autonomia para fazer as próprias leis sobre o tema.

A segunda Emenda da Constituição americana, do século 18, também assegura que “o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido”.

Enquanto isso, defensores de maior restrição à venda de armas apontam que é necessário maior regulação sobre o tema, como já é feito em diversos estados.

O último governo democrata, de Barack Obama, foi pressionado a implementar regras mais duras após Sandy Hook, mas não avançou amplamente na temática.