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Tarifas de Trump podem agravar crise humanitária em Cuba, diz presidente do México

Claudia Sheinbaum afirmou que a imposição de tarifas sobre o fornecimento de petróleo a ilha representa um risco elevado para a estabilidade social

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 17h38.

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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que as novas tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, podem agravar a situação humanitária em Cuba. A medida, segundo ela, afeta diretamente países que fornecem recursos energéticos para a ilha e compromete serviços essenciais à população cubana, como saúde e alimentação.

Durante sua coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 30 de janeiro, Claudia Sheinbaum declarou que a imposição de tarifas sobre o fornecimento de petróleo a Cuba representa um risco elevado para a estabilidade social no país caribenho.

O México passou a ocupar um papel central nesse cenário, diante da queda no apoio energético da Venezuela a Cuba. A presidente informou que a chancelaria mexicana buscará esclarecimentos com autoridades americanas sobre os efeitos da ordem executiva assinada por Trump, que instaurou estado de emergência nacional para viabilizar a cobrança de tarifas de exportação a países como o México.

Apesar da relação histórica entre México e Cuba, Claudia Sheinbaum afirmou que não comprometerá os interesses econômicos mexicanos no processo. Segundo ela, o país seguirá priorizando o diálogo diplomático e avaliará alternativas para continuar apoiando os cubanos sem sofrer sanções.

“Não queremos colocar nosso país em risco em termos de tarifas”, afirmou. “Queremos saber o alcance do decreto e sempre buscaremos canais diplomáticos.”

Reação de Havana

O ministro das Relações Exteriores de Cuba reagiu à medida, classificando-a como uma tentativa de coerção que pode aprofundar as dificuldades já enfrentadas pela ilha. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também condenou a ação norte-americana por meio das redes sociais, chamando-a de criminosa e movida por interesses pessoais.

Díaz-Canel mantém proximidade política com o ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, mentor de Sheinbaum, e tem contado com o México como principal fonte externa de petróleo após o colapso da estatal venezuelana PDVSA.

Neste mês, Cuba recebeu ao menos 400 mil barris de petróleo bruto e combustível da Pemex, estatal mexicana, conforme dados de monitoramento naval divulgados pela Bloomberg. Uma nova carga, prevista para os próximos dias, foi retida temporariamente.

O petróleo mexicano é usado para abastecer o sistema elétrico cubano, que sofre com frequentes apagões e depende quase exclusivamente de combustíveis fósseis para operar.

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