Superciclone Amphan, o maior em 20 anos, atinge Índia e Bangladesh

Mais de 2 milhões de pessoas tiveram de ser evacuadas por causa da chegada do furacão Amphan, logo no meio da pandemia do coronavírus

As forças da natureza não dão descanso em meio a uma pandemia. No sul da Ásia, a quarta-feira é marcada pela chegada do ciclone Amphan à costa leste da Índia, próximo a Calcutá, e de Bangladesh, com potencial de causar danos nos dois países.

A expectativa era de que o furacão atingisse a região na tarde desta quarta-feira, manhã no Brasil, provocando chuva intensa, com ventos que podem chegar a 185 quilômetros por hora.

Na terça-feira, a intensidade do ciclone havia diminuído um pouco. Ele deixou de ser classificado como uma “tempestade superciclônica” (com ventos acima de 220 quilômetros por hora) – a mais alta categoria no sistema meteorológico indiano – e foi incluído na categoria de uma “tempestade ciclônica extremamente severa”, a segunda mais crítica.

“O Amphan é o mais intenso e o primeiro superciclone registrado desde um ciclone que atingiu a região de Odisha em 1999. Estamos lidando com um cenário de múltiplas casualidades uma vez que os ventos devastadores devem causar um dano extenso à infraestrutura, às moradias e às árvores”, disse Mrutyunjay Mohapatra, diretor geral do Departamento de Meteorologia da Índia ao jornal Times of India. Em 1999, o ciclone de Odisha deixou quase 10.000 mortos e causou mais de 4 bilhões de dólares em danos.

Em Bangladesh, as autoridades planejavam evacuar mais de 2 milhões de pessoas das regiões costeiras e de locais que estão na rota do ciclone. Na Índia, outras centenas de milhares de pessoas também estavam sendo orientadas a deixar as vilas e cidades atingidas pelo Amphan, para evitar um desastre ainda maior.

A desocupação provocada pelo ciclone ocorre em meio às medidas de quarentena impostas para conter a propagação do novo coronavírus, o que traz uma dificuldade adicional para as autoridades. A formação de ciclones é comum no norte do Oceano Índico, mas as tempestades têm ficado mais frequentes e mais intensas nos últimos anos. É mais um sinal de que as mudanças climáticas não dão trégua.

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