Um homem chora a bordo de uma aeronave C130 que resgata sobreviventes nas Filipinas (Getty Images)
Vanessa Barbosa
Publicado em 9 de janeiro de 2014 às 13h29.
São Paulo - Entre estradas ladeadas por cadáveres e destroços, os sobreviventes do tufão Haiyan desbravam seu caminho rumo a uma das dezenas de zonas de resgate onde aeronaves com capacidade para até 5 mil passageiros aguardam liberação para levantar voo. É chegado o momento de reconstruir a vida que foi abruptamente destruída no dia 9 de novembro. Um recomeço carregado de dor e desencontros.
No olhar de quem sobreviveu, a imagem do pesadelo vivido parece ressuscitar de tempos em tempos. Não poderia ser diferente, para onde quer que se olhe, o cenário é de destruição generalizada. Como esquecer? Pelas contas da ONU, pelo menos meio milhão de pessoas estão desabrigadas, muitas delas sem acesso a água, alimentos ou remédios.
A ação de evacuação do arquipélago, que começou há quatro dias, vem ganhando força a medida que se intensifica a ajuda humanitária de diversos países. É preciso correr contra o tempo. O forte cheiro de decomposição dos cadáveres já toma conta da cidade de Tacloban, onde dezenas de milhares de sobreviventes ainda sofrem com a falta de alimentos e de água.
Segundo relatou o presidente do país, Benigno Aquino, em entrevista à CNN nesta terça-feira, o número de mortes provocadas pela passagem do tufão nas Filipinas é provavelmente de 2.000 ou 2.500. Apesar de nada ser dito oficialmente, existe uma preocupação velada de que os corpos, que se encontram por todas partes, possam gerar uma epidemia.