Sobrevivente relata o horror do acidente aéreo no Paquistão

"Havia gritos de crianças, adultos e idosos, em todos os lugares", conta Mohammad Zubair, uma das duas pessoas a sair com vida da queda do Airbus A320

Mohammad Zubair foi um dos dois sobreviventes do acidente de um Airbus A320 na sexta-feira 22 de maio numa área residencial em Karachi, a grande cidade do sul do Paquistão, no qual 97 pessoas morreram.

Depois que o avião tocou o chão, "recuperei a consciência e vi fogo por toda parte. Não via ninguém", lembra o jovem de 24 anos, cujo relato de 53 segundos de seu leito no hospital se tornou viral nas redes sociais.

"Havia gritos de crianças, adultos e idosos, em todos os lugares. Todos estavam tentando sobreviver."

"Soltei o cinto de segurança, vi luz e tentei ir nessa direção. Funcionou. A partir daí, pulei [para fora da aeronave]", continua em voz clara, rosto visivelmente incólume após o desastre.

Segundo um funcionário do Ministério da Saúde de Sindh, província cuja capital é Karachi, Mohammad Zubair sofreu queimaduras, mas sua condição é estável.

O outro sobrevivente é o presidente do Bank of Punjab, um dos maiores bancos do país, Zafar Masud, segundo o presidente da companhia aérea Pakistan International Airlines (PIA), Arshad Malik.

O A320 da PIA proveniente de Lahore caiu numa área residencial quando se aproximava do Aeroporto de Karachi no início da tarde de sexta-feira após uma falha técnica, matando 97 das 99 a bordo, incluindo oito tripulantes, de acordo com várias fontes.

Ainda não há informações de vidas em terra.

Local do acidente em Karachi: 97 mortos

Local do acidente em Karachi: 97 mortos (Ashraf KHAN/AFP Photo)

As operações de resgate terminaram no amanhecer deste sábado, segundo as autoridades. Durante toda a sexta-feira, equipes de resgate e moradores revistaram os escombros em busca de corpos.

Um jornalista da AFP viu vários corpos carbonizados sendo carregados para uma ambulância.

O voo PK8303 "perdeu contato com o controle de tráfego aéreo às 14h37" (6h37 de Brasília), segundo o porta-voz da PIA, Abdullah Hafeez.

Uma gravação autenticada por um porta-voz da PIA revela um pedido de socorro do piloto à torre de controle, na qual declara: "Perdemos os motores".

O CEO Arshad Malik prometeu uma investigação "transparente".

O piloto era experiente, segundo o ministro, e a aeronave, colocada em serviço em 2004, voava para a PIA desde 2014, como informa um comunicado de imprensa da Airbus.

"Vi um passageiro saindo do avião (...) ele estava vivo. Ele estava falando. Ele me pediu para salvá-lo, mas suas pernas estavam presas na saída de emergência", contou Raja Amjad, uma testemunha que pouco antes viu um corpo "cair em seu carro".

Sarfraz Ahmed, um bombeiro, disse à AFP que muitas das vítimas ainda usavam cinto de segurança.

Até o momento, 21 pessoas foram identificadas, algumas das quais já foram enterradas.

Um major, que morreu com sua esposa e dois filhos, recebeu um funeral militar, seu caixão coberto com a bandeira nacional. Pelo menos dois outros oficiais foram enterrados em Karachi.

Testes de DNA são realizados na Universidade de Karachi para determinar quem são as outras vítimas.

Segundo o ministro das Relações Exteriores Shah Mahmood Qureshi, o avião tinha muitas pessoas voltando para casa para o Eid el-Fitr, a celebração do fim do Ramadã, feriado mais importante para os muçulmanos.

O acidente ocorre poucos dias após o país autorizar a retomada dos voos comerciais domésticos, suspensos por mais de um mês para combater a propagação do novo coronavírus.

Acidentes envolvendo aeronaves e helicópteros civis e militares ocorrem com frequência no Paquistão.

O último grande acidente aéreo no país foi em dezembro de 2016. Um avião da PIA que realizava um voo doméstico caiu no norte montanhoso, matando 47 pessoas.

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