Redação Exame
Publicado em 24 de dezembro de 2025 às 17h16.
Um grupo de senadores do Partido Democrata enviou nesta quarta-feira, 24, uma carta ao presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, pedindo que ele reconsidere a decisão de demitir cerca de 30 embaixadores de carreira que assumiram seus postos durante o governo de Joe Biden.
Na carta, dez senadores democratas, liderados por Jeanne Shaheen, membro de maior escalão do Comitê de Relações Exteriores do Senado, advertiram que ficarão vagos mais da metade dos postos de embaixadores no mundo. Eles argumentam que isso
"Já havia 80 postos de embaixador vagos antes desta ordem. Agora, o número de embaixadas americanas sem chefe subirá para mais de 100, aproximadamente a metade de todos os postos de embaixador dos Estados Unidos no mundo. Este vazio na liderança americana representa uma ameaça significativa para a nossa segurança nacional", afirmaram no documento.
Nas últimas semanas, cerca de 30 embaixadores de carreira foram informados pelo Departamento de Estado que deveriam deixar seus postos em janeiro e retornar a Washington. O governo não publicou uma lista oficial dos afetados pela medida e não explicou o que motivou a decisão.
O movimento do governo provocou reações negativas da oposição e do corpo diplomático americano. Isso porque os Estados Unidos contam com dois tipos de embaixadores: os designados políticos, que são colaboradores próximos do presidente, e os diplomatas de carreira, que são funcionários do Serviço Exterior.
É comum que um novo presidente substitua imediatamente os embaixadores políticos, destinados normalmente a grandes capitais europeias, enquanto os diplomatas de carreira costumam permanecer em seus postos até concluir o mandato, já que se entende que cumprem as diretrizes da Casa Branca independentemente do partido no governo - no caso de Trump, o Partido Republicano.
Uma porta-voz da Associação Americana do Serviço Exterior (AFSA), o sindicato dos diplomatas, declarou à EFE que "os diplomatas e embaixadores de carreira não costumam ser destituídos desta maneira" e que "a falta de transparência e de procedimento contradiz radicalmente as normas tradicionais".
Trump alega que a administração pública é dominada por um grupo de burocratas que ele chama de "Deep State" ("Estado Profundo") e os acusa de ter ideias de esquerda e de tentar sabotar suas políticas.
A retirada de embaixadores se soma ao corte de funcionários promovido pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que demitiu mais de 1,3 mil integrantes de seu departamento e autorizou o desmantelamento da histórica Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).
*Com informações da EFE