Wright e Rodríguez: reunião de líderes dos EUA e Venezuela inicia processo de reorganização do setor petrolífero no país sul-americano (AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 19h38.
A Venezuela recebeu nesta quarta-feira, 11, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.
O secretário reuniu-se com a presidente interina e ministra de Hidrocarbonetos da Venezuela, Delcy Rodríguez, como parte de uma agenda que inclui diretores do setor de petróleo e visitas a campos petrolíferos venezuelanos, de acordo com o Departamento de Energia dos EUA.
Wright é a autoridade mais importante do governo americano a visitar o país latino-americano desde a operação militar de 3 de janeiro, que terminou com a captura do mandatário venezuelano Nicolás Maduro.
No encontro foram discutidos soberania energética, novos investimentos e à ampliação da cooperação bilateral no setor petrolífero.
Rodríguez está à frente das negociações e do planejamento estratégico da exploração petrolífera venezuelana. O país busca aumentar sua produção de petróleo em 18% em 2026.
No último ano, a Venezuela alcançou 1,2 milhão de barris por dia, após ter atingido mínimos históricos de cerca de 360 mil barris em 2020.
O aumento é significativo, mas ainda distante dos 3 milhões de barris diários extraídos durante o governo de Hugo Chávez. O país possui as maiores reservas comprovadas de hidrocarbonetos do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris.
A visita ocorre em meio a uma reconfiguração das relações entre Caracas e Washington.
Após a captura de Maduro, Trump assumiu parte da comercialização do petróleo venezuelano no mercado internacional. Uma primeira venda gerou 500 milhões de dólares (cerca de 2,6 bilhões de reais).
Em uma mudança no modelo estatista, a Venezuela encaminha-se para maior abertura no setor petrolífero.
O Parlamento aprovou em janeiro deste ano uma reforma da Lei de Hidrocarbonetos para facilitar negócios com os Estados Unidos e aumentar o fluxo de dólares.
“Acredito que a rápida aprovação dessa legislação pode ser vista como um gesto da pronta melhora nas novas relações entre os Estados Unidos e a Venezuela”, afirmou Wright ao portal Politico nesta quarta-feira. “Eles desejam que cheguem investimentos à Venezuela tanto quanto nós queremos”, acrescentou.
O setor petrolífero da Venezuela está sob embargo dos Estados Unidos desde 2019.
No entanto, após a reforma da Lei de Hidrocarbonetos, o Tesouro americano emitiu licenças que flexibilizam as sanções.
Nesta terça-feira, 10, Washington anunciou novos passos para suavizar restrições, autorizando fornecimento de equipamentos ao setor, frete de navios e algumas operações portuárias e aeroportuárias.
Delcy Rodríguez governa sob pressão do presidente norte-americano, que afirmou estar à frente do país após a captura de Maduro, atualmente sob julgamento em Nova York por acusações de narcotráfico.
A presidente tem avançado na restauração das relações diplomáticas, rompidas desde 2019, e cedeu o controle do petróleo a Washington, além de impulsionar uma anistia geral e ordenar o fechamento do Helicoide, sede do serviço de inteligência denunciada por ONGs como centro de torturas.