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Rússia sofre pressão para interromper bombardeio em Aleppo

O vice-ministro russo das Relações Exteriores disse que um esboço de cessar-fogo da França contém pontos inaceitáveis e que politizou a questão


	Cessar-fogo: acredita-se que mais de 250 mil pessoas estão na área rebelde de Aleppo
 (Hosam Katan / Reuters)

Cessar-fogo: acredita-se que mais de 250 mil pessoas estão na área rebelde de Aleppo (Hosam Katan / Reuters)

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Da Redação

Publicado em 7 de outubro de 2016 às 18h06.

Moscou / Beirute - A Rússia disse nesta sexta-feira que um esboço de resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) para uma trégua na cidade síria de Aleppo é inaceitável, e Moscou se deparou com uma pressão internacional crescente para interromper um bombardeio devastador sobre a localidade apoiado pelo poderio aéreo russo.

O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Gennady Gatilov, disse que um esboço apresentado pela França contém uma série de pontos inaceitáveis e que politizou a questão da ajuda humanitária.

Mas o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, disse que seu país irá endossar uma proposta atraente do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura – escoltar militantes para fora de Aleppo pessoalmente.

A Rússia está disposta a pedir ao governo sírio que permita que os combatentes do grupo islâmico Frente Al-Nusra saiam da cidade sem suas armas, disse Lavrov.

Lavrov se pronunciou um dia depois de o presidente sírio, Bashar al-Assad, oferecer uma anistia para que os combatentes e suas famílias partam do setor leste de Aleppo, controlado pelos rebeldes, com a garantia de passagem livre para outros locais da Síria comandados pelos insurgentes.

Mas rebeldes disseram à Reuters que não confiam em Assad e que acreditam que tal acordo teria como meta expurgar muçulmanos sunitas do leste de Aleppo.

A oferta vem na esteira de duas semanas dos bombardeios mais pesados da guerra civil de cinco anos e meio, que mataram centenas de pessoas retidas no leste da localidade e minaram uma iniciativa de paz apoiada pelos Estados Unidos.

Acredita-se que mais de 250 mil pessoas estão na área rebelde de Aleppo enfrentando a escassez de alimento e remédios.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, exortou a Rússia a utilizar sua influência sobre o governo sírio para pôr fim ao bombardeio de Aleppo, e seu governo aventou a possibilidade de impor sanções aos russos por seu papel no conflito.

Merkel disse não haver base na lei internacional para o bombardeio de hospitais e que Moscou deveria usar seu cacife com Assad para acabar com os ataques aéreos contra civis.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que ações russas e sírias como o bombardeio de hospitais sírios clamam por uma investigação de crimes de guerra.  

"Na noite passada, o regime sírio atacou mais um hospital, e 20 pessoas foram mortas e 100 pessoas ficaram feridas. A Rússia e o regime devem ao mundo mais do que uma explicação sobre a razão de continuarem alvejando hospitais, instalações médicas e crianças e mulheres", disse ele aos repórteres em Washington.

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