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Recontagem em eleições em Honduras é paralisada por novos incidentes

País foi às urnas em 30 de novembro e apuração já dura três semanas

Apuração em Honduras: contagem de votos já dura semanas (Orlando Sierra/AFP)

Apuração em Honduras: contagem de votos já dura semanas (Orlando Sierra/AFP)

Publicado em 21 de dezembro de 2025 às 15h29.

A apuração especial das eleições gerais de Honduras do último dia 30 de novembro, iniciada na quinta-feira com um atraso de cinco dias, está paralisada neste domingo devido a novos incidentes no Centro Logístico Eleitoral (CLE) do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Divergências acentuadas entre representantes das Juntas Especiais de Verificação e Contagem (JEVR) no CLE teriam interrompido há mais de nove horas a apuração especial de 2.792 atas com inconsistências, segundo denunciou Cossette López, uma dos três conselheiros do CNE.

Desde quinta-feira, apenas 983 atas eleitorais foram apuradas das 2.792 que apresentam inconsistências.

Situação de empate

Até às 23h (hora local) de sábado, de acordo com o site do CNE, o candidato do conservador Partido Nacional, Nasry Asfura — que conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump —, registrava 1.369.370 votos (40,29%).

O candidato do também conservador Partido Liberal, Salvador Nasralla, segue em segundo lugar com 1.345.086 votos (39,57%). Em terceiro aparece a candidata do governista, Rixi Moncada, Partido Liberdade e Refundação (Livre, esquerda), com 650.473 sufrágios (19,13%).

López afirmou que os representantes dos partidos Liberal e Livre “optaram por abandonar o recinto (o CLE), posicionando-se nas áreas externas do local e paralisando novamente o trabalho eleitoral em aberta confabulação”.

"Este comportamento não admite interpretação adicional: seu objetivo é impedir a declaração dos resultados. Trata-se de uma conduta que transgride a legalidade, vulnera o cronograma eleitoral e é executada com absoluta impunidade", ressaltou em uma mensagem na rede social X.

Diante dessa situação, López exigiu "de maneira respeitosa, mas firme, a atuação imediata das Forças Armadas, em sua qualidade de garantidoras do processo eleitoral".

"Os representantes dos partidos políticos ou cumprem a função para a qual foram credenciados, ou devem ser retirados do recinto, procedendo-se imediatamente ao início dos processos correspondentes por crimes eleitorais. Devem ser substituídos", acrescentou.

"Senhores das JEVR, vocês não decidem o que o povo vota. Estão atentando diretamente contra os votos dos hondurenhos que, gostem ou não, estão depositados nas urnas", denunciou.

A conselheira disse aos "partidos políticos envolvidos nesse boicote" que "o CNE disponibilizou a infraestrutura e vocês estão apostando no fracasso do processo nesta etapa, que é de responsabilidade sua. O que fazem demonstra que sua vocação democrática é inexistente e que não respeitam o povo, que é quem escolhe".

Por lei, o CNE tem até o próximo dia 30 para divulgar os resultados oficiais das eleições gerais.

Com EFE.

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