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Quem é José María Balcázar, o novo presidente do Peru

Novo chefe de Estado se torna o presidente mais velho da história do país

José María Balcázar: presidente mais velho da história do país foi eleito após a destituição de José Jerí. (Jorge Cerdan/Anadolu via Getty Images)

José María Balcázar: presidente mais velho da história do país foi eleito após a destituição de José Jerí. (Jorge Cerdan/Anadolu via Getty Images)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 06h42.

O Congresso do Peru escolheu na noite desta quarta-feira, 18, o congressista e ex-magistrado José María Balcázar para assumir a Presidência da República, após a destituição de José Jerí no dia anterior.

Aos 83 anos, ele se torna o presidente mais velho da história do país e assume em meio a mais um capítulo da instabilidade política que marca o Peru na última década.

De perfil identificado com a esquerda, Balcázar venceu no segundo turno da votação interna no Parlamento a deputada conservadora María del Carmen Alva, considerada favorita no início da disputa.

A escolha surpreendeu parte da classe política e ocorreu em um cenário de forte fragmentação entre os blocos do Congresso.

A candidatura foi apresentada pelo partido marxista Peru Livre, que chegou ao poder em 2021 com Pedro Castillo. Castillo acabou destituído em 2022 após uma tentativa fracassada de golpe e cumpre pena de 15 anos de prisão.

Carreira no Judiciário e passagem pelo Congresso

Natural de Cajamarca, no norte andino do país, Balcázar construiu parte da carreira no sistema de Justiça e chegou à Corte Suprema do Peru. No entanto, sua atuação como magistrado também foi alvo de questionamentos: ele acabou afastado por irregularidades, como a anulação de sentenças que já estavam em vigor.

No Legislativo, consolidou uma imagem de figura controversa, tanto por posicionamentos políticos quanto por declarações públicas que geraram reação negativa em setores da sociedade civil e de órgãos do próprio Estado.

Acusações, investigações e desgaste institucional

O histórico do novo presidente interino inclui investigações por suspeitas de tráfico de influência e acusações relacionadas a corrupção. O Colégio de Advogados de Lambayeque, no norte do país, expulsou Balcázar de forma definitiva após um processo disciplinar que apontou suposta apropriação de recursos quando ele presidia a entidade.

Nesta semana, a instituição divulgou nota pública rejeitando sua indicação à Presidência e relembrando as infrações éticas e legais atribuídas a ele.

Em abril de 2025, o Ministério Público incluiu Balcázar em uma denúncia constitucional relacionada a um suposto esquema de corrupção envolvendo a então procuradora-geral Patricia Benavides.

Segundo a acusação, ele teria sido beneficiado por uma proposta de troca de favores para influenciar votações no Congresso em troca do arquivamento de um processo criminal que enfrentava.

Declarações e embates no Parlamento

A atuação parlamentar de Balcázar também foi marcada por episódios de forte repercussão pública. Em 2023, durante o debate sobre um projeto para proibir o casamento com menores de idade, ele afirmou que relações sexuais precoces “ajudariam no futuro psicológico da mulher”.

Foi o único congressista a se abster na votação e, mesmo diante da reação negativa e de críticas de órgãos como o Ministério da Mulher, se recusou a pedir desculpas.

No ano seguinte, apresentou um parecer que retirava a obrigatoriedade do uso de linguagem inclusiva em instituições públicas, alterando uma proposta apresentada pela deputada evangélica María Jáuregui, do partido ultraconservador Renovación Popular. A mudança reacendeu o debate sobre pautas identitárias no Congresso.

O oitavo presidente em dez anos

Com a posse de Balcázar, o Peru chega ao oitavo presidente desde 2016, em uma sucessão marcada por renúncias, afastamentos e crises políticas.

Ollanta Humala (28 de julho de 2011 – 28 de julho de 2016: 1.827 dias)
Eleito nas urnas, concluiu o mandato, mas foi preso depois por corrupção.

Pedro Pablo Kuczynski (28 de julho de 2016 – 23 de março de 2018: 601 dias)
Eleito nas urnas, renunciou antes da votação de seu terceiro processo de impeachment.

Martín Vizcarra (23 de março de 2018 – 9 de novembro de 2020: 962 dias)
Era vice de Kuczynski, foi alvo de impeachment

Manuel Merino (10-15 de novembro de 2020 – 5 dias)
Presidente do Congresso, assumiu após a queda de Vizcarra, mas durou pouco pois houve uma série de fortes protestos.

Francisco Sagasti (17 de novembro de 2020 – 28 de julho de 2021: 253 dias)
Assumiu porque era o atual presidente do Congresso. Governou até o fim do mandato previsto e não disputou a reeleição.

Pedro Castillo (28 de julho de 2021 – 7 de dezembro de 2022: 497 dias)
Eleito nas eleições gerais, foi afastado pelo Congresso após acusações de tentar dar um autogolpe para impedir seu terceiro processo de impeachment.

Dina Boluarte (7 de dezembro de 2022 – 10 de outubro de 2025: 1.038 dias)
Era vice de Castillo. Sofreu impeachment pela acusação de não conter onda de violência no país.

José Jerí (10 de outubro de 2025 – 17 de fevereiro de 2026: 130 dias)
Assumiu por ser presidente do Congresso. Sofreu impeachment por acusações de tráfico de influência.

*Com informações da EFE 

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