Alvin Hellerstein e Judy Marbach: juiz supervisionou processos do 11 de setembro (Owen Hoffmann/Patrick McMullan/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 11h34.
O julgamento do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro nos Estados Unidos começa nesta segunda-feira, 5, sob a condução de um dos magistrados mais experientes do Judiciário federal americano.
O processo ficará a cargo do juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, do Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, em Manhattan, corte considerada uma das mais influentes do país.
Maduro foi preso no sábado e responde a acusações federais que incluem tráfico internacional de drogas, corrupção governamental e vínculos com organizações classificadas como terroristas.
O Distrito Sul de Nova York é responsável por julgar processos sensíveis ligados à segurança nacional, terrorismo e crime internacional. Foi nesse foro que o Ministério Público Federal detalhou as acusações contra Maduro, apontando o suposto envolvimento do regime venezuelano em esquemas transnacionais de narcotráfico e lavagem de dinheiro.
A distribuição do caso a Hellerstein reforça o peso institucional do julgamento, dado o histórico do magistrado à frente de ações de grande repercussão.
Nascido em Nova York, em 1933, Alvin Hellerstein iniciou a carreira como advogado do Exército dos Estados Unidos e, posteriormente, atuou no setor privado. Em maio de 1998, foi nomeado juiz federal pelo então presidente Bill Clinton, passando a integrar o Distrito Sul de Nova York.
Ao longo da trajetória, construiu reputação por conduzir processos complexos e politicamente sensíveis. Em 2011, assumiu o status de magistrado sênior, o que reduziu sua carga de trabalho, mas sem afastá-lo da atividade judicial.
Mesmo como juiz sênior, Hellerstein continuou à frente de ações envolvendo terrorismo, segurança nacional, disputas financeiras de grande porte e processos civis de ampla repercussão pública.
Segundo o jornal The New York Times, entre os casos mais conhecidos julgados por ele estão ações de indenização relacionadas aos atentados de 11 de setembro de 2001, o processo por assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein e o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nos últimos anos, ele assinou decisões que tanto contrariaram quanto respaldaram políticas do governo Donald Trump.
Entre elas, estão sentenças que bloquearam deportações por razões constitucionais e outras que rejeitaram pedidos de redução de pena com base em critérios religiosos ou de nacionalidade.
Hellerstein também conduz, no mesmo tribunal federal, o processo contra Hugo Armando “Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência militar venezuelana. Carvajal é acusado de tráfico de drogas e narcoterrorismo, em um caso diretamente ligado às investigações sobre o regime chavista.
De acordo com documentos do processo, o depoimento de Carvajal terá papel central no julgamento de Maduro. O ex-general, que também foi congressista, decidiu cooperar com as autoridades americanas e se declarou culpado, no verão passado, de quatro acusações relacionadas ao narcotráfico e ao apoio a organizações terroristas.
*Com informações do Globo