Pressão de e-commerce aumenta riscos e contêineres perdidos no mar

A indústria de navegação registra o maior salto em contêineres perdidos em sete anos. Mais de 3.000 caixas caíram no mar no ano passado, e pelo menos 1.000 foram perdidas no oceano até agora em 2021

Contêineres empilhados em navios gigantes que transportam de pneus de carro a smartphones estão sendo perdidos a uma taxa alarmante, com milhões de dólares em cargas caindo no fundo do oceano, já que a pressão para acelerar as entregas aumenta o risco de erros de segurança.

A indústria de navegação registra o maior salto em contêineres perdidos em sete anos. Mais de 3.000 caixas caíram no mar no ano passado, e pelo menos 1.000 foram perdidas no oceano no acumulado de 2021. Os acidentes desorganizam as cadeias de suprimentos de centenas de varejistas e fabricantes dos EUA, como Amazon e Tesla.

Existem várias razões para o aumento repentino de acidentes. O clima está mais imprevisível, enquanto navios são cada vez maiores, permitindo que os contêineres sejam empilhados mais alto do que nunca. Mas, para agravar a situação, está o aumento do comércio eletrônico com a forte demanda dos consumidores na pandemia, colocando mais pressão sobre armadores para entregar produtos o mais rápido possível.

“Com a maior movimentação de contêineres, esses navios muito grandes estão muito mais próximos da capacidade total do que no passado”, disse Clive Reed, fundador da Reed Marine Maritime Casualty Management Consultancy. “Há uma pressão comercial para que os navios cheguem a tempo e, consequentemente, façam mais viagens.”

Depois que ventos fortes e grandes ondas atingiram em novembro o One Apus, de 364 metros, causando a perda de mais de 1.800 contêineres, imagens mostraram milhares de caixas de aço espalhadas como peças Lego, algumas destroçadas em pedaços de metal. O incidente foi o pior desde 2013, quando o MOL Comfort se partiu em dois e afundou com toda a carga de 4.293 contêineres no Oceano Índico.

Em janeiro, o Maersk Essen perdeu cerca de 750 caixas enquanto navegava de Xiamen, na China, para Los Angeles. Um mês depois, 260 contêineres caíram do Maersk Eindhoven quando perdeu energia em mares agitados.

A necessidade de velocidade piora as condições de navegação, que podem causar desastres rapidamente, de acordo com especialistas em transporte marítimo. Os perigos variam de estivadores que fixam incorretamente as caixas em cima de outras a capitães que não desviam de uma tempestade para economizar combustível e tempo, pois enfrentam a pressão dos fretadores, disseram. Um movimento equivocado pode colocar cargas e tripulação em risco.

As chances de acidentes aumentaram à medida que trabalhadores marítimos exaustos enfrentam piores condições durante a pandemia. A Allianz Global Corporate & Specialty estima que o erro humano contribui para pelo menos 75% dos acidentes e fatalidades no setor de transporte marítimo.

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