Presidente há 33 anos acha Guiné Equatorial democrática

"Aqui ninguém pode vir dizer tolices sobre a democracia", disse o chefe de Estado guineense em ato organizado na cidade de Mbini, província de Litoral

Redação Central – O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, afirmou nesta sexta-feira que seu país “pratica a democracia” ao celebrar o 33º aniversário no poder.

“Aqui ninguém pode vir dizer tolices sobre a democracia”, disse o chefe de Estado guineense em ato organizado na cidade de Mbini, província de Litoral.

Obiang, de 70 anos, é presidente da Guiné Equatorial desde agosto de 1979, após liderar o golpe de estado que derrubou o líder anterior, seu tio Francisco Macias Nguema.

O governante guineense assinalou que “estes que exigem a democracia de nós não nos dão nada”, e denunciou que buscam provocar “desordem interna para roubar nossos recursos”.

“Não admitirei nenhum engano. Vão enganar os míopes”, afirmou Obiang, que encorajou a população a ficar atenta “porque por trás da desordem, os espertos virão para levar nossos recursos”.

Obiang lembrou que “a grandeza de um país não depende das dimensões geográficas, mas da inteligência de seus habitantes”. Afirmou que a “Guiné Equatorial é hoje um país de referência” na África e deu instruções a seu governo para “melhorar a gestão, evitando qualquer tipo de mal”.

Para Obiang, dia 3 de agosto, aniversário do golpe que lhe levou ao poder, significa “dia de paz, sossego, tranquilidade, harmonia, equilíbrio político e social, a partir de um crescimento econômico cada vez mais seguro e sustentável”.

No entanto, o partido opositor Convergência para a Democracia Social (CPDS), denuncia que a intenção de Obiang é instaurar no país um sistema de partido único.


A CPDS afirma em comunicado que está “assistindo a uma reviravolta decisiva em direção ao retorno do partido único em nosso país e no fechamento dos últimos espaços de convivência democrática”

O aniversário acontece na véspera da montagem da lista eleitoral para as eleições legislativas e municipais do próximo ano e 73 dias após a nomeação de um governo de transição com cerca de 60 membros, formado por dois vice-presidentes da República, um primeiro-ministro e dois vice-primeiros-ministros.

Obiang será mais uma vez o candidato do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) na eleições presidenciais de 2016, ao ser nomeado líder vitalício da formação que ele mesmo fundou em 1986, durante a realização do V Congresso, em abril.

Em novembro de 2009, Obiang revalidou pela terceira vez consecutiva um novo mandato de sete anos, com uma “maioria arrasadora”, segundo resultados publicados pela Junta Eleitoral Nacional (JEN).

Obiang, antigo aluno dos irmãos salesianos na cidade de Bata, capital continental de Río Muni até 1964, estudou depois na academia militar espanhola de Zaragoza.

Nos anos 90, o país figurava na lista do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) como um dos dez mais pobres da África Subsaaariana.

Atualmente, a Guiné Equarorial é uma das principais economias dos seis países que formam a Comunidade Econômica e Monetária da África Central (Cemac), devido à produção de mais de 400 mil barris de petróleo. 

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