Após revés, presidente turco tem que formar novo governo

O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), islamita conservador, perdeu a maioria no parlamento depois de 13 anos de domínio absoluto da vida política turca

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, apresenta nesta terça-feira a renúncia de seu governo ao presidente Recep Tayyip Erdogan, que encarregará a ele a formação de um novo gabinete, dois dias depois do revés sofrido por seu partido nas eleições legislativas.

O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), islamita conservador, perdeu a maioria no parlamento depois de 13 anos de domínio absoluto da vida política turca.

Com isso, a Turquia entrou em um período de instabilidade.

A votação, que Erdogan transformou em um plebiscito a respeito de sua liderança, obriga o AKP pela primeira vez a formar uma coalizão ou a governar em minoria.

Em uma declaração por escrito, o presidente islamita pediu aos partidos políticos que atuem com responsabilidade para preservar a "estabilidade".

O chefe de Estado defendeu ainda um governo de coalizão, uma vez que nenhum partido tem a capacidade de governar sozinho.

De acordo com os resultados oficiais, o AKP permanece como o partido mais votado, com 40,8% dos votos, mas o número representa uma queda de quase 10 pontos na comparação com as eleições anteriores quando obteve 49,9% dos votos.

Vítima da desaceleração da economia e acusado pela oposição de uma guinada autoritária, o partido de Erdogan conquistou 258 das 550 cadeiras no Parlamento, bem abaixo da maioria absoluta (276 deputados).

O principal responsável pela queda do AKP foi o partido curdo HDP (Partido Democrático do Povo), que superou a barreira de 10% para entrar no Parlamento. O movimento liderado por Selahattin Demirtas recebeu 13,1% dos votos e elegeu 80 deputados.

Os outros dois principais partidos turcos, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata) e o Partido de Ação Nacionalista (MHP, direita), receberam 25% e 16,3% dos votos, que representam 133 e 80 cadeiras respectivamente.

Os resultados abalam as ambições de Erdogan de perpetuar-se no poder.

Depois de 11 anos como primeiro-ministro, Erdogan foi eleito presidente em agosto do ano passado e fez uma campanha para que o AKP conquistasse as 330 cadeiras necessárias para reformar a Constituição e instaurar um regime presidencialista forte, que a oposição chamou de "ditadura constitucional".

"Os turcos responderam que não gostam de seu poder pessoal", resume o jornal Hürriyet.

Ainda resta a possibilidade de uma coalizão do partido no poder com outra das três formações. Caso as negociações não apresentem resultados nos próximos 45 dias, Erdogan pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.

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