Iceberg perto de Nuuk, na Groenlândia (Odd Andersen/AFP)
Redação Exame
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 15h51.
O presidente da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta segunda-feira, 2, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém o objetivo de obter e controlar a ilha, apesar de ter rejeitado publicamente uma hipótese de invasão militar.
Em discurso no Parlamento groenlandês, Nielsen lembrou que Trump já havia manifestado interesse em controlar o território em 2019 e que voltou a repetir a intenção em diversas ocasiões ao longo do último ano.
Segundo o líder do território autônomo dinamarquês, a rejeição recente a uma operação militar não alterou a visão americana sobre a Groenlândia. Ele disse que a ideia de vincular a ilha aos Estados Unidos continua vigente e foi motivo para a convocação de um debate extraordinário no Parlamento.
Nielsen classificou as ameaças como “inaceitáveis” e afirmou que elas geraram “muita insegurança” entre a população local. Destacou ainda que a Groenlândia não pode ser comprada nem vendida, que faz parte do Reino da Dinamarca e segue se desenvolvendo dentro do Estatuto de Autonomia.
O presidente afirmou que o governo groenlandês trabalha para proteger o território e ressaltou que a ilha não está sozinha, agradecendo o apoio recebido de países europeus. Para ele, a questão também envolve o futuro da Otan, a segurança do mundo ocidental e a democracia global.
O renovado interesse de Trump pela Groenlândia, justificado por ele por razões de segurança nacional, provocou tensões dentro da Otan e com países europeus, que chegaram a ser ameaçados com tarifas. Nas últimas semanas, diplomatas dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia iniciaram reuniões de alto nível sobre o tema.
Apesar do diálogo em curso, Copenhague e Nuuk têm reiterado que a soberania e a integridade territorial da ilha não estão em discussão. A Groenlândia possui desde 2009 um Estatuto de Autonomia, com direito à autodeterminação, e depende economicamente da pesca e de repasses anuais da Dinamarca.
*Com informações da EFE