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Prazo para saída dos EUA da OMS termina sem pagamento de dívida

Data limite é alcançada sem quitação de US$ 278 milhões e gera incerteza sobre vínculo americano com a agência

Donald Trump: no ano passado, presidente americano anunciou saída da OMS (Alex Wong/Getty Images)

Donald Trump: no ano passado, presidente americano anunciou saída da OMS (Alex Wong/Getty Images)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 05h49.

Chega ao fim, nesta quarta-feira, 22, o prazo de um ano estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a saída dos Estados Unidos da agência. O período começou em janeiro de 2025, após o governo do presidente Donald Trump notificar formalmente a ONU sobre a decisão de deixar o organismo internacional.

O encerramento do prazo ocorre sem que Washington tenha quitado as contribuições financeiras em aberto. Segundo dados citados por autoridades da OMS e por veículos internacionais, a dívida americana soma cerca de US$ 278 milhões, referentes ao biênio 2024–2025.

A constituição da OMS não prevê a saída voluntária de países membros. Ainda assim, os Estados Unidos incluíram, ao ingressar na organização em 1948, uma cláusula que lhes garante esse direito, desde que cumpridas duas condições: aviso prévio de um ano e regularização das obrigações financeiras.

O primeiro requisito foi atendido com o fim do prazo nesta semana. O segundo permanece pendente.

A OMS informou que cabe aos Estados-membros avaliar se a retirada pode ser considerada válida sem o pagamento integral das contribuições devidas. O tema deve ser discutido em reuniões do Conselho Executivo e da Assembleia Mundial da Saúde nos próximos meses.

O Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos não farão pagamentos adicionais à OMS antes da conclusão do processo de saída.

Impactos para cooperação internacional

A OMS afirmou que a decisão enfraquece os mecanismos globais de vigilância epidemiológica, troca de dados e coordenação de respostas a surtos. A agência destacou que os Estados Unidos eram participantes centrais em redes técnicas, como as de monitoramento de influenza e outras doenças transmissíveis.

Especialistas em saúde global avaliam que a ausência dos EUA pode reduzir o fluxo de informações críticas tanto para Washington quanto para outros países, especialmente em cenários de emergência sanitária. Há preocupação de que o país passe a operar de forma mais isolada em relação a alertas internacionais sobre novas ameaças à saúde pública.

Justificativas do governo americano

O governo Trump sustenta que a decisão está ligada a críticas à atuação da OMS em crises recentes, incluindo a gestão da pandemia de covid-19, e à necessidade de reformas estruturais na organização. A Casa Branca também afirma que os custos associados à participação americana superaram os benefícios.

Mesmo fora da OMS, autoridades dos EUA indicam que o país continuará envolvido em iniciativas de saúde global por meio de outros organismos internacionais, como Unicef e Unaids. Ainda assim, o governo informou que não pretende participar de eventos regulares liderados ou administrados pela OMS além dos assuntos diretamente ligados ao processo de retirada.

A OMS reiterou que a cooperação internacional é central para a segurança sanitária global e mantém aberta a possibilidade de reaproximação futura, enquanto os países membros analisam as implicações formais da saída americana sem a quitação das contribuições pendentes.

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