Mercados: TACO trade atca novamente e mexe com as bolsas (Adam Gault/Getty Images)
Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 05h59.
No fim, a quarta-feira, 21, foi mais um clássico “TACO trade” — movimento que Wall Street já batizou de “Trump Always Chickens Out” ("Trump sempre desiste", na tradução literal). Depois de ameaçar tarifas contra a Europa por conta de sua intenção de adquirir a Groenlândia, o presidente Donald Trump recuou, como em outras ocasiões em que o mercado reagiu mal a suas declarações.
A reversão provocou um rali global. O índice Stoxx Europe 600 subiu 1,1%, liderado por montadoras como a Volkswagen, que avançou 5,2%. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 também registraram ganhos. A recuperação seguiu o tom conciliador de Trump, que descartou o uso da força militar para adquirir o território dinamarquês e prometeu negociar um "acordo-quadro".
O alívio geopolítico se espalhou para a Ásia, onde o índice MSCI Asia Pacific subiu 0,7%, impulsionado por ações do setor de tecnologia. A fabricante japonesa Disco Corp. disparou 17%, enquanto a sul-coreana Samsung Electronics avançou 2,3%, levando o índice de referência da Coreia do Sul a renovar sua máxima histórica.
Nos EUA, o Dow Jones subiu 1,2%, acompanhado de altas semelhantes nos índices S&P 500 e Nasdaq. O índice de volatilidade VIX, conhecido como "índice do medo", que havia saltado com as incertezas geopolíticas, recuou fortemente, indicando alívio nos temores de curto prazo. Analistas destacaram que a resposta do mercado seguiu um padrão conhecido: após a ameaça inicial e a correção, investidores voltam a comprar ativos de risco, antecipando que Trump recuará diante de reações negativas. Até agora deu certo. Mas a certeza pode não durar.
Apesar da melhora nos ativos de risco, o mercado não reduziu totalmente a busca por proteção. O ouro permaneceu estável próximo ao recorde, caminhando para sua melhor semana em três meses. O dólar e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos também oscilaram pouco, indicando cautela residual.
No mercado de criptomoedas, o bitcoin recuou para US$ 89.783, queda de 0,4%, enquanto o ether caiu 1,2%, sendo negociado abaixo de US$ 3.000.
Os detalhes do “acordo-quadro” com a Groenlândia não foram revelados. Trump prometeu divulgar os termos em breve. Em Davos, ele reafirmou que não usaria força militar e sugeriu que os Estados Unidos são os únicos capazes de garantir a segurança do território. A fala contribuiu para amenizar os temores de conflito diplomático.
Michael Ball, estrategista da Bloomberg, afirmou que os desdobramentos sobre a Groenlândia devolveram às ações sua configuração de fábrica.
"Os acontecimentos na Groenlândia levaram as ações de volta ao seu padrão habitual: um mercado que anseia por alta, à medida que o otimismo em relação a uma retomada do crescimento se amplia. A queda na volatilidade demonstra que o prêmio de medo acumulado na terça-feira se dissipou rapidamente", disse.
A reviravolta política coincidiu com destaques corporativos importantes.
A Volkswagen reportou saldo de caixa acima do esperado e adiou investimentos em sua estratégia para veículos elétricos. A Renault anunciou que vai reintegrar a Ampere, revertendo a separação da unidade de veículos elétricos e software.
A Telenor , por sua vez, vendeu sua participação na operadora tailandesa True Corp por 39 bilhões de coroas norueguesas.
Paralelamente, o CEO da OpenAI, Sam Altman, buscava financiamento no Oriente Médio para levantar ao menos US$ 50 bilhões.
Nesta quinta-feira, 22, os mercados subiam.
O Stoxx Europe 600 subia 1,1% em Londres, enquanto os futuros do S&P 500 ganhavam 0,4% e os do Nasdaq 100, 0,6%. O índice MSCI de mercados emergentes também avançava 0,7%.
Entre as moedas, o euro e a libra operavam estáveis frente ao dólar, enquanto o iene japonês recuava 0,3%. O yuan offshore também apresentava variação mínima.
Nos juros, os títulos do Tesouro americano de 10 anos operavam com rendimento próximo a 4,24%. Na Europa, os juros de 10 anos da Alemanha estavam em 2,88%, e os do Reino Unido recuavam para 4,43%.
No mercado de commodities, o petróleo Brent era negociado a US$ 64,95, com queda de 0,4%, e o ouro spot seguia próximo da estabilidade.