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Por que a Igreja Católica enviou 6 cardeais para Belém durante a COP30?

Religiosos fazem programação paralela à cúpula do clima, com agenda intensa nos próximos dias

Bispos e cardeais em missa na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, durante a COP30 (Leandro Fonseca/Exame)

Bispos e cardeais em missa na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, durante a COP30 (Leandro Fonseca/Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 13 de novembro de 2025 às 15h07.

Última atualização em 13 de novembro de 2025 às 16h25.

Belém - À frente da procissão, vinha a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, com seu manto branco. Atrás, uma fila de 6 cardeais e cerca de 40 arcebispos e bispos, de várias partes do Brasil e do mundo. Era o início de uma missa na Basílica de Nazaré, em Belém, na noite de quarta-feira, 12, quando a Igreja Católica iniciou sua programação paralela à COP30.

Além de chefes de Estado, empresários e ativistas ambientais, o evento em Belém atraiu cardeais e fiéis católicos, pois a igreja terá uma programação extensa que relaciona religião e meio ambiente. A expectativa entre os religiosos é de que mais de 20 mil católicos venham a Belém.

A lista inclui missas de acolhida em inglês e francês, encontros de jovens e um debate inter-religioso, com líderes indígenas e visitas a territórios.

Nas reuniões da igreja, haverá debates sobre temas como preservação das águas, racismo ambiental, justiça climática e preservação das comunidades tradicionais.

Para a igreja, cuidar do ambiente é cuidar da criação de Deus e também da 'casa' da humanidade.

"A igreja tem um compromisso social de cuidado com a casa comum. A partir disso, temos um objetivo de sensibilizar a todos os cristãos, a todas as pessoas de boa vontade sobre o cuidado com a casa comum", disse a irmã Maria Regina Dias, que integra a coordenação do projeto Igreja de Belém na COP 30.

Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e que foi cotado para ser papa, esteve na COP30. Ele discursou na sexta-feira, 7, durante a cúpula de líderes, em nome do papa Leão XIV.

"A paz é ameaçada pela falta do devido respeito pela criação, pelo saque dos recursos naturais e pelo agravamento progressivo da qualidade de vida causado pelas alterações climáticas", disse Parolin.

"Devido à sua natureza global, estes desafios põem em perigo a vida de todos neste planeta e, por isso, exigem cooperação internacional e um multilateralismo coeso e capaz de olhar em frente", afirmou o secretário.

Pietro Parolin, secretário do Vaticano, cumprimenta o presidente Lula na COP30 (Ricardo Stuckert/PR)

Preocupação ambiental da igreja

A proximidade da Igreja Católica com a questão ambiental vem de algumas décadas. Nos anos 1990, o papa João Paulo II disse que a crise ecológica "era um problema moral" e que deveria ser resolvida pela solidariedade.

Em 2015, o papa Francisco voltou ao tema em sua carta Laudato si, na qual defendeu uma conversão ecológica, pois o clima "é um bem comum, de todos e para todos" e chamou os fiéis a se engajarem no tema.

Além disso, na Amazônia, há um longo histórico de missionários que atuam na floresta para combater o desmatamento, sendo que muitos deles foram assassinados. O caso de maior repercussão foi o da freira americana Dorothy Stang, morta a tiros em 2005, em Anapu, no Pará. A Justiça condenou dois fazendeiros como sendo os mandantes do crime.

Um enorme retrato de Dorothy foi levado à frente de uma procissão pelas ruas de Belém na noite de quarta-feira, realizada antes da missa. Em meio a orações e músicas, uma apresentadora lembrava as histórias de outros líderes que foram mortos na Amazônia, e os apresentava como mártires.

Na celebração, foi lido um trecho do evangelho sobre a fuga de José, pai de Jesus, para o Egito. Em seguida, na homilia, o cardeal Jaime Spengler, presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Porto Alegre, fez um chamado à ação.

"Os textos que ouvimos estão nos exortando a acordar, a levantar-nos. É urgente reavaliar a qualidade de nossas relações conosco mesmos, com as outras pessoas, com Deus, com o mundo ao redor", disse.

"A questão das mudanças climáticas, da urgência de revisão do modelo energético dominante, tem a ver com a qualidade das nossas relações", afirmou Spengler, a uma plateia de cardeais, fiéis e ativistas ambientais. Em seguida, todos fizeram uma oração para que Deus ilumine as decisões dos líderes internacionais na COP30.

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