Redação Exame
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 11h34.
A China criticou nesta quinta-feira, 8, a apreensão, pelos Estados Unidos, de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais e voltou a defender a legalidade de sua cooperação energética com a Rússia diante das sanções impostas por Washington.
Em entrevista coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, classificou a ação americana como uma "apreensão arbitrária" e afirmou que a interceptação de navios de outros países em alto-mar "viola seriamente o direito internacional" e fere os princípios da Carta das Nações Unidas.
Pequim também reiterou oposição a sanções que, segundo o governo chinês, "carecem de base no direito internacional" e não contam com aval do Conselho de Segurança da ONU.
As declarações foram feitas após a Guarda Costeira dos EUA interceptar no Atlântico Norte o petroleiro Marinera, anteriormente chamado de Bella 1. A embarcação é associada ao transporte de petróleo venezuelano e, de acordo com Washington, teria violado o regime de sanções americano.
A Rússia reagiu classificando a operação como uma "interceptação ilegal" e cobrou um tratamento "humano e digno" para a tripulação do navio.
Questionada sobre a possibilidade de endurecimento das sanções dos EUA contra a Rússia, com advertências a empresas de países como China, Índia e Brasil, Mao Ning afirmou que Pequim "sempre se opôs" a esse tipo de medida.
Segundo ela, a cooperação econômica, comercial e energética entre China e Rússia é "normal", "não é dirigida contra terceiros" e, portanto, "não deveria sofrer interferência nem ser afetada".
A apreensão ocorre em meio ao aumento da pressão americana sobre as exportações de petróleo russo e venezuelano. Nos últimos dias, Washington anunciou novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo da Venezuela e para controlar, por tempo indefinido, a venda da commodity do país sul-americano.
Segundo a imprensa americana, o Marinera teria tentado chegar a águas venezuelanas para carregar petróleo antes de ser interceptado no Atlântico Norte. Para os EUA, a ação integra a ofensiva contra a chamada "frota fantasma", que transportaria óleo bruto à margem das sanções ocidentais, um movimento que ampliou atritos diplomáticos com Moscou e agora também com Pequim.
*Com informações da EFE