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Paquistão tem 'raves sóbrias' com jovens que bebem café na balada

Cada vez mais jovens da Gen Z optam por um estilo de vida mais saudável; no Paquistão, o interesse por saúde e a aderência ao Islã também levam o público a evitar alcool

Café gelado: uma das bebidas consumidas por jovens no Paquistão (musicphone1/Getty Images)

Café gelado: uma das bebidas consumidas por jovens no Paquistão (musicphone1/Getty Images)

Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 08h01.

Em clubes esportivos de Karachi, uma grande cidade no sul do Paquistão, um novo fenômeno atrai cada vez mais jovens da chamada Geração Z: raves sóbrias. Sem álcool, sem drogas, e com um toque de recolher às 10 da noite, o novo tipo de festas reflete a tanto a assimilação e o respeito ao Islã nas atividades da juventude quanto um fenômeno global conhecido como “socialização sóbria”, conforme jovens buscam cada vez mais um estilo de vida mais saudável.

A cena de festas noturnas na república de maioria islâmica até então sempre foi clandestina, devido à presença de álcool e drogas, e o risco de enraivecer as autoridades. Agora, a vida noturna passa a atender aos novos interesses da juventude, e oferece novos tipos de atividade dificilmente vistas em festas mais “usuais”: ao invés de drinks, jovens são vistos bebendo café e chá gelado. Durante pausas na pista de dança, atendentes jogam padel, um esporte semelhante ao squash, popular no Paquistão.

Câmeras nas paredes e em drones que sobrevoam a multidão ajudam a reforçar a regra do álcool zero. "Sem mecanismos de segurança, você está apenas recriando os mesmos riscos dos quais as pessoas estão tentando escapar", diz à Reuters Usman Ahmad, fundador da 12xperience, a firma pioneira na área de festas sóbrias de Karachi.

"Trata-se de criar um espaço onde as pessoas se sintam seguras", disse ele. "Sem álcool, sem drogas, sem caos."

Dados da Euromonitor mostram que a demanda por refrigerantes e bebidas sem álcool aumentou mais de 27% entre 2020 e 2025, e a cifra para bebidas quentes, como café, subiu em números parecidos. Apesar da tendência de socialização sóbria ser global, a mudança paquistanesa foi incrivelmente rápida, e seu mercado para esse tipo de festa se abriu mais do que os dos EUA e do Reino Unido.

O maior problema das festas é o preço. Com ingressos entre 3 e 7 mil rúpias paquistanesas (entre R$ 56 e 130 reais), em um país cujos salários tendem a ser entre 30.000 e 40.000 rúpias (entre R$ 560 e 747), uma única noitada custa um preço significativo. Mesmo assim, festas sóbrias constituem uma importante parte da vida noturna da juventude paquistanesa.

Segurança para mulheres

As novas festas em Karachi também contam com eventos exclusivos para mulheres, um toque progressista em um país onde diferenças de gênero carregam um forte estigma cultural.

"Para muitas mulheres, a vida noturna vem com condições como quem está presente, até que horas funciona e o quão visível é", disse ao veículo a comediante e influenciadora Amtul Baweja, anfitriã de uma noite exclusiva para mulheres em seu café em Karachi, o Third Culture Coffee. Por mais que Baweja faça muitas festas sóbrias em seu café, a demanda pela versão exclusiva para mulheres é a mais alta. "O objetivo era criar um espaço onde as mulheres pudessem relaxar sem ter que se preocupar com essas coisas."

"Você não precisa se preocupar com quem está assistindo", adiciona Fátima, que não revelou seu sobrenome porque seus pais não sabiam que ela frequenta as festas. "Terminar mais cedo facilita a volta para casa."

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