Papa: o líder católico pediu que se busquem 'soluções políticas pacíficas para a situação atual' (Alberto Pizzoli/AFP)
Redação Exame
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 10h26.
O papa Leão XIV advertiu nesta sexta-feira, 9, diante do corpo diplomático no Vaticano, que se quebrou o princípio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial "que proibia os países de utilizarem a força para violar as fronteiras alheias".
Além disso, o pontífice citou a fragilidade do multilateralismo como "um motivo de especial preocupação" em nível internacional, ao mesmo tempo em que alertou sobre o ressurgimento da guerra como um meio para resolver conflitos.
"A guerra volta a estar na moda e o entusiasmo bélico se espalha", declarou Leão XIV perante os embaixadores, acrescentando que "a diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força, seja por parte de indivíduos ou de grupos de aliados".
O papa também disse que o aumento das tensões no Caribe e no Pacífico é motivo de "grave preocupação" e pediu que se "respeite a vontade do povo venezuelano", após o ataque dos Estados Unidos que resultou na captura do líder Nicolás Maduro.
"A escalada de tensões no mar do Caribe e ao longo da costa pacífica americana é motivo de grave preocupação (...) Isso se refere em particular à Venezuela, à luz dos acontecimentos recentes", disse.
Desde agosto, os Estados Unidos mobilizaram contingente militar no Caribe e bombardearam embarcações procedentes da Venezuela em nome do combate às drogas, operações cuja legalidade foi questionada por especialistas, ONGs e autoridades das Nações Unidas. Também realizaram ataques semelhantes no Pacífico oriental, sem apresentar provas de que as pessoas a bordo fossem traficantes de drogas.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram posteriormente capturados em 3 de janeiro, em um ataque militar surpresa durante a madrugada, em Caracas.
"Renovo meu apelo para que se respeite a vontade do povo venezuelano e que os direitos humanos e civis de todos sejam preservados, garantindo um futuro de estabilidade e concórdia", acrescentou o pontífice.
O líder católico também pediu que se busquem "soluções políticas pacíficas para a situação atual, levando em conta o bem comum dos povos e não a defesa de interesses partidários".
Sobre as causas da situação na Venezuela, Leão XIV comentou que o tráfico de drogas é, "sem dúvida", um dos motivos principais, qualificando-o como uma "chaga para a humanidade" que requer um compromisso conjunto de todos os países para erradicá-lo e "evitar que milhões de jovens de todo o mundo se tornem vítimas do consumo de drogas".
O papa também citou outras crises da região, como a "situação desesperadora no Haiti", marcada por "múltiplas formas de violência, desde o tráfico de pessoas até o exílio forçado e os sequestros".
O pontífice americano, que também tem nacionalidade peruana, recordou os dois primeiros santos venezuelanos que ele mesmo canonizou em outubro do ano passado, José Gregorio Hernández e a irmã Carmen Rendiles, destacando que podem servir de "inspiração" nestes tempos.
"Desta forma, será possível construir uma sociedade fundada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim sair da grave crise que aflige o país há muitos anos", acrescentou.
*Com informações de EFE e AFP