Palestinos matam cinco israelenses em sinagoga de Jerusalém

Oito ficaram feridos

Jerusalém - Cinco israelenses morreram e oito ficaram feridos nesta terça-feira em um atentado contra uma sinagoga em Jerusalém, cometido por dois palestinos, que foram mortos, no ataque mais violento nos últimos anos na Cidade Sagrada, cenário de grande tensão.

Os dois palestinos mortos pela polícia atacaram os fiéis reunidos em uma sinagoga de Jerusalém Ocidental com machados, facas e uma pistola, segundo a polícia.

O ataque deixou nove feridos, cinco deles em estado crítico, incluindo o policial druzo Zidan Saief, 30 anos, que faleceu no hospital.

A ação foi realizada pelos grupos Hamas e Jihad Islâmica, as duas principais forças islâmicas palestinas.

Das cinco vítimas, todos homens, três também tinham cidadania americana, segundo o departamento de Estado. A polícia israelense informou que uma quarta vítima tinha dupla nacionalidade britânica.

Os criminosos, procedentes de Jabel Mukabber, um bairro de Jerusalém Oriental, entraram no momento da oração em uma sinagoga do bairro ultraortodoxo de Jar Nof, em Jerusalém Ocidental, considerado um reduto do Shass, um partido religioso.

"Escutei tiros e um dos fiéis saiu do local gritando 'É um massacre!'", disse uma testemunha.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, violentamente criticado por Israel, condenou a "morte de fiéis que oravam em uma sinagoga", assim como "a morte de civis independente do lado".

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que o país vai reagir "com mão de ferro ao assassinato de judeus".

Netanyahu declarou ter ordenado, mais uma vez, que as forças de ordem "destruam as casas dos terroristas" e que reforcem as medidas punitivas contra aqueles que "incitam o ódio".

O premier de Israel afirmou que o ataque "é o resultado direto da incitação feita pelo Hamas e por Abu Mazen (Abbas), incitação que a comunidade internacional ignora de maneira irresponsável".

"O Hamas e a Autoridade Palestina continuam propagando calúnias contra Israel (...). Sem enviar terroristas para que cometam atentados, ele (Abbas) deixa a incitação à violência correr solta no seio da Autoridade Palestina".

O presidente Barack Obama condenou o que chamou de "ataque terrível" e pediu calma a israelenses e palestinos.

"Neste momento delicado em Jerusalém, é muito importante que os líderes israelenses e palestinos e que as pessoas comuns atuem juntos para reduzir as tensões, rejeitar a violência e buscar um caminho para a paz", disse Obama.

O secretário de Estado americano, John Kerry, chamou de ato de "puro terror e de brutalidade sem sentido", ao mesmo tempo que pediu aos dirigentes palestinos que denunciem o ataque.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, por sua vez, também condenou o ataque e pediu calma aos líderes da região para evitar uma escalada da violência.

"O ataque esta manhã prejudica o caminho para a paz. É um ato de terror contra devotos e condenável em qualquer ponto de vista", afirmou, acrescentando que a "falta de avanços no processo de paz contribui para a escalada da violência, por isso chegou o momento para as duas partes fazerem compromissos".

A Rússia pediu a israelenses e palestinos que "adotem medidas urgentes para conter os extremistas cujas ações ameaçam agravar a situação".

Moscou, que chamou o ataque de "crime desumano", espera a retomada das "negociações, em conformidade com o direito internacional, para que todas as questões relacionadas ao estatuto definitivo dos territórios palestinos sejam resolvidas" e seja encontrada uma "solução mutuamente aceitável para o problema de Jerusalém".

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou "o trágico incidente de hoje", e também "os confrontos entre jovens palestinos e as forças de segurança de Israel quase diários na parte leste da cidade de Jerusalém e na Cisjordânia".

"A situação que piora cada vez mais nessas regiões só reforça o imperativo para que líderes de ambos os lados tomem decisões difíceis que promovam a estabilidade e garantam a segurança a longo prazo, tanto para Israel, quanto para Palestina".

Segundo o Hamas, "o ataque é uma resposta ao assassinato do mártir Yusef Ramuni", um motorista de ônibus palestino encontrado morto no domingo em seu veículo em Jerusalém Ocidental.

A polícia israelense concluiu após a necropsia que Ramuni cometeu suicídio, ao contrário de um médico palestino, segundo a família, que examinou o corpo do motorista, um palestino de Jerusalém Oriental de 32 anos.

Ramuni, pai de dois filhos, era um homem feliz, segundo a família, que rejeitou com veemência a tese de suicídio.

A descoberta do corpo de Ramuni aumentou ainda mais a tensão em Jerusalém, que desde junho entrou em um ciclo de violência sem trégua entre israelenses e palestinos.

No início de julho extremistas judeus queimaram vivo um adolescente palestino de Jerusalém Oriental, como uma forma de vingança pelas mortes de três israelenses.

Desde então, a Cidade Sagrada registra confrontos noturnos cotidianos na parte leste e palestina da localidade, anexada por Israel.

A escalada de violência entrou em uma nova fase no mês passado, quando um palestino lançou um automóvel contra um ponto de ônibus. Outros dois palestinos seguiram o exemplo com ataques fatais em Jerusalém e na Cisjordânia ocupada.

Depois começaram os ataques com facas, que chegaram às ruas de Tel Aviv.

Hamas pede novos ataques

O Hamas afirma que os ataques são uma "resposta à série de crimes do ocupante" na mesquita de Al-Aqsa, que fica na Esplanada das Mesquitas, na Cidade Antiga de Jerusalém, epicentro da tensão.

Os palestinos consideram uma provocação as visitas nas últimas semanas de extremistas judeus ao local sagrado.

O Hamas defendeu nesta terça-feira a "continuidade das operações".

O ministro israelense da Segurança Interna, Yitzhak Aharonovitch, atribuiu a violência ao Hamas e a Abbas.

"Abbas e o Hamas utilizam todos os pretextos para incitar a violência, inclusive o suicídio de um motorista de ônibus", disse o ministro.

Em função da escalada de violência, Israel decidiu que vai facilitar os controles sobre porte de armas para garantir a autodefesa, segundo o ministro da Segurança Pública Yitzhak Aharonovitch.

"Nas próximas horas, aliviarei as restrições sobre o porte de armas", afirmou à rádio pública.

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