Painel da ONU considera prisão de Assange ilegal

Refugiado desde 2012 na embaixada do Equador em Londres, Assange se recusa a se render às autoridades da Suécia por medo de ser extraditado para os EUA

O grupo de trabalho da ONU sobre a detenção arbitrária considera ilegal a prisão do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, que vive recluído na embaixada equatoriana em Londres para fugir de uma ordem de prisão europeia, anunciou nesta quinta-feira a diplomacia sueca.

"Podemos constatar simplesmente que o grupo de trabalho chegou a outra conclusão que as autoridades judiciais suecas", declarou à AFP uma porta-voz do minstério das Relações Exteriores da Suécia, país que quer interrogar o australiano por um suposto caso de estupro.

Mais cedo durante o dia, o australiano de 44 anos afirmou que se o grupo de trabalho, cujas conclusões devem ser divulgadas na sexta-feira, der-lhe razão, ele esperaria "a devolução imediata de (seu) passaporte e um fim a qualquer nova tentativa de prendê-lo".

Refugiado desde junho de 2012 na embaixada do Equador em Londres, Assange se recusa a se render às autoridades da Suécia por medo de ser extraditado para os Estados Unidos, onde ele poderia ser indiciado pela publicação pelo WikiLeaks em 2010 de 500.000 documentos secretos sobre o Iraque e o Afeganistão, e 250.000 comunicações diplomáticas.

Depois de excluir por muito tempo um interrogatório em Londres, os juízes suecos concordaram em 2015 num deslocamento para ouvi-lo. Suécia e Equador chegaram a assinar um acordo, mas ainda não chegaram a um acordo sobre as modalidades desta audição.

De acordo com Per Samuelsson, advogado sueco de Julian Assange, as conclusões do grupo de trabalho da ONU significava que a Suécia "viola a Convenção Europeia dos Direitos Humanos".

A justiça sueca "deve levantar o mandado de prisão", ressaltou à AFP.

O promotor encarregado da investigação não quis fazer nenhum comentário.

Neste contexto, o Equador assegurou nesta quinta-feira que mantém a "proteção" ao fundador do Wikileaks.

"É uma decisão pessoal. Temos dado proteção a ele e é claro que a proteção será mantida, uma vez que os motivos pelos quais demos asilo ainda se mantém", afirmou a jornalistas o ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño.

"Por alguma razão, ele está dizendo que se o grupo de trabalho (sobre Detenções Arbitrárias da ONU) não lhe der razão, ele iria render-se, provavelmente, acho que acredita que lhe darão razão", acrescentou.

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