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Otan deixará 300 mil soldados em alerta máximo após ameaça russa

De acordo com o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, o número de soldados em alerta máximo deve saltar de 40 mil para 300 mil nos próximos meses

Otan: Transformar a força de resposta rápida da Otan, que conta com cerca de 40 mil soldados, é apenas uma das maneiras pelas quais a aliança pretende responder à invasão da Ucrânia pela Rússia (Olivier Douliery/Pool/Reuters)

Otan: Transformar a força de resposta rápida da Otan, que conta com cerca de 40 mil soldados, é apenas uma das maneiras pelas quais a aliança pretende responder à invasão da Ucrânia pela Rússia (Olivier Douliery/Pool/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 28 de junho de 2022 às 09h36.

Última atualização em 28 de junho de 2022 às 13h59.

A Otan prometeu nesta segunda, 27, aumentar drasticamente o número de tropas que mantém em "alto nível de prontidão" em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. De acordo com o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, o número de soldados em alerta máximo deve saltar de 40 mil para 300 mil nos próximos meses.

O anúncio do líder da Otan ocorreu às vésperas de uma reunião de cúpula da aliança, em Madri, de hoje, terça-feira, 28, até quinta, 30, que deve definir aspectos importantes do posicionamento da Otan sobre a Ucrânia e o futuro da parceria entre os países-membros. Stoltenberg classificou a etapa como a "maior revisão de defesa e dissuasão coletiva desde a Guerra Fria".

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Transformar a força de resposta rápida da Otan, que conta com cerca de 40 mil soldados, é apenas uma das maneiras pelas quais a aliança pretende responder à invasão da Ucrânia pela Rússia. De acordo com os planos, a aliança também transferirá estoques de munições e outros suprimentos para o Leste Europeu, uma transição que deve ser concluída em 2023.

Em Madri, os aliados discutirão ainda planos para reforçar as fronteiras com Belarus e Rússia, delinear um novo modelo de força, anunciar financiamentos e publicar um "pacto estratégico" para os próximos anos, de acordo com diplomatas da Otan.

Na última vez em que a aliança publicou esse tipo de documento estratégico, em 2010, os laços com a Rússia eram mais amigáveis. A versão mais recente "deixará claro que os aliados consideram Moscou como a ameaça mais significativa e direta", disse Stoltenberg.

Suécia e Finlândia na Otan

Os países da Otan também debaterão os pedidos de adesão de Suécia e Finlândia. Até agora, a Turquia bloqueou as propostas dos países, acusando ambos de abrigar grupos "terroristas" - como os turcos se referem aos separatistas curdos.

Tanto Stoltenberg quanto a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, disseram na semana passada que tentariam convencer a Turquia a mudar de ideia e aceitar a entrada dos dois países antes da cúpula de Madri.

Ontem, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, confirmou reuniões tanto com Magdalena quanto com o presidente finlandês, Sauli Niinisto. Stoltenberg, porém, tratou de reduzir as expectativas de um acordo. "É muito cedo para dizer que tipo de progresso podemos alcançar", disse.

Exigências de Erdogan

Erdogan exige o fim do bloqueio da exportação de armas suecas e finlandesas para a Turquia, em vigor desde a intervenção militar turca no norte da Síria, em outubro de 2019, o endurecimento da legislação antiterrorista da Suécia e a extradição de várias pessoas que Ancara descreve como terroristas.

A cúpula de Madri deve ser dominada pela guerra da Ucrânia. Apesar do compromisso da Otan com a defesa dos ucranianos, a aliança pretende oferecer apenas ajuda não letal, já que seus membros não querem arriscar um confronto direto contra a Rússia.

A presença da Otan no Leste da Europa, perto da fronteira da Rússia, era justamente a razão alegada pelo presidente russo, Vladimir Putin, para invadir a Ucrânia, em fevereiro. Portanto, o aumento do efetivo não deve ser bem recebido em Moscou, muito menos a notícia de que os membros da alianças ampliaram seus gastos militares.

Tensão

De acordo com números divulgados esta semana pela Otan, os gastos com defesa entre seus 30 membros devem aumentar 1,2% em termos reais este ano, a taxa de crescimento mais lenta em oito anos sucessivos de incremento.

Em 2022, nove países devem ultrapassar a meta de 2% do PIB em gastos militares, liderados pela Grécia, com 3,76%, e EUA, com 3 47%. O Reino Unido ocupa o sexto lugar, com 2,12%, um gasto ligeiramente abaixo dos dois anos anteriores. A França gastará 1 9% do PIB e a Alemanha, 1,44%.

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