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Onde fica o Uzbequistão? O país do algodão e da Rota da Seda vive sua 1ª Copa

Herança de seus dias como polo na rota da seda, o algodão continua sendo parte central da identidade uzbeque

Publicado em 23 de junho de 2026 às 14h17.

Última atualização em 24 de junho de 2026 às 10h25.

Duas décadas após ter erguido o troféu da Copa do Mundo como capitão da Itália, o renomado Fabio Cannavaro retorna aos gramados à frente de uma equipe inusitada: a seleção do Uzbequistão, um país na Ásia Central que se qualificou pela primeira vez ao torneio.

Estreou contra a Colômbia e foi derrotado por 3 a 1. Nesta terça-feira, 23, às 14h, enfrenta Portugal para tentar marcar seu primeiro ponto na competição.

O Uzbequistão é um país sem acesso ao oceano e faz fronteira com outros cinco países também sem acesso ao mar: Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão e Turcomenistão. A capital e maior cidade é Tashkent, e a religião oficial é o Islã.

E, apesar de ser um azarão no futebol, pouco se sabe sobre o país em geral. Mesmo assim, o Uzbequistão tem uma longa história que remonta à antiguidade, e as heranças dessa época definem o país até hoje.

Uma das curiosidades é que o Uzbequistão é um dos principais produtores de algodão do mundo. Em 2024, arrecadou US$ 1,43 bilhão, segundo dados do Observatory of Economic Complexity, plataforma que analisa em profundidade o cenário econômico de países.

Muitas pessoas interpretam a faixa branca na bandeira tanto como referência à paz quanto à colheita de algodão no país, prática que remonta à antiguidade.

O ouro branco do Uzbequistão: da Rota da Seda aos dias de hoje

Campo de algodão pronto para a colheita: commodity está no coração da identidade e economia Uzbeque há mais de mil anos (dhughes9/Getty Images)

O país asiático foi uma peça central em séculos de conquistas, ao ver alguns dos maiores generais da história ocuparem suas cidades e sobreviver por mais de 2 mil anos a transformações que derrubaram impérios.

A cidade que hoje é Tashkent foi conquistada por Alexandre, o Grande, em 329 a.C. e, sob ocupação grega, passou a ser conhecida como Markanda. Séculos depois, em 1220, outro grande líder da história, o imperador mongol Gengis Khan, também conquistou a cidade, que se encontrava em posição estratégica no coração da Rota da Seda.

Nesse período, a região que hoje compõe o país se consolidou como um dos principais centros comerciais dessa rota, que conectava a China ao Mediterrâneo. A cidade de Samarcanda, em específico, situada no leste do Uzbequistão e diretamente no percurso da Rota da Seda, tornou-se um dos principais polos comerciais e espirituais da região, conhecida como “A Jóia da Rota da Seda”.

O crescimento de Samarcanda foi impulsionado principalmente pelo comércio de algodão e têxteis dessa fibra, uma mercadoria tão valiosa quanto a própria seda, que dá nome à histórica rota.

Situada no cruzamento das rotas que ligavam a China, a Índia, a Pérsia e o Mediterrâneo, Samarcanda transformou-se em uma das cidades mais ricas e influentes do mundo antigo. No século XIV, durante o auge do império de Tamerlão, imperador turco-mongol e herói nacional uzbeque, a cidade foi transformada em uma vitrine de poder, reunindo os mais renomados arquitetos, artesãos, filósofos, tecelões e metalúrgicos de diferentes partes da Ásia. Impulsionada pelas riquezas da Rota da Seda, a metrópole floresceu como centro comercial e cultural do que hoje é o Uzbequistão. Seus monumentos mais célebres, como a necrópole de Shah-i-Zinda e a majestosa Registan, permanecem como símbolos de uma era em que as fortunas da rota eram convertidas em obras monumentais de pedra, azulejo e poder político.

E essa herança do passado continua até hoje: o algodão segue como peça central tanto da economia quanto da cultura do país: Uzbequistão é atualmente o sétimo maior produtor da commodity no mundo.

E o algodão uzbeque segue em alta demanda desde o período da Rota da Seda, com seus têxteis tradicionais, como Suzani e Ikat, tecidos à mão, que, inclusive, encontraram espaço no mundo da moda, fazendo parte da coleção de verão e primavera da Gucci em 2010.

A colheita do algodão é uma parte tão importante da cultura do Uzbequistão que mais de dois milhões de pessoas são mobilizadas todos os anos para participar da safra anual.

Porém, nas últimas décadas, a indústria de algodão do Uzbequistão foi acusada de trabalho forçado e condições de trabalho inadequadas, atraindo fortes críticas internacionais. A partir de 2022, reformas no setor resultaram em mudanças na cadeia produtiva; naquele ano, a colheita foi a primeira em mais de uma década na qual a Organização Internacional do Trabalho (OIT) não encontrou evidências de abusos.

Com o setor representando até 25% do PIB uzbeque, somando receitas de exportação e geração de empregos, segundo a BBC, a consolidação de uma produção mais regular e monitorada representa um passo relevante para o país.

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