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Editor do Future of Money
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 18h32.
Um possível ataque quântico é a maior ameaça existencial que a rede do Bitcoin enfrenta. A criptografia da maior das criptomoedas é notadamente vulnerável a uma quebra por parte de um computador com esse tipo de tecnologia.
Diante disso, Gean Chu, sócio da Honey Island Capital, afirma que a comunidade do bitcoin e seus principais desenvolvedores já estão atentos e trabalhando para conter um potencial ciberataque. “Já foi criado um plano de ação vivo que traça rotas”, afirma.
Chu diz que o grande problema é que o mecanismo de consenso utilizado na validação do bitcoin dificulta atingir resoluções definitivas. De acordo com Chu, o computador quântico não é um supercomputador, e sim uma máquina específica com particularidades.
Dentro desse contexto, há dois principais algoritmos que podem atacar o blockchain: o Shor e o Grover. “Grover consegue quebrar mais fácil, mas não é muito eficiente. Quebrar pela metade uma criptografia tão complexa quanto a do bitcoin não faz muita diferença”, explica Chu.
Já o Shor seria realmente mais perigoso e com consequências potencialmente catastróficas. “Shor consegue quebrar chaves de curvas elípticas, como as que existem nas criptomoedas. Diferente do Ethereum, em que todos têm as chaves públicas, no Bitcoin é só um terço. No entanto, este terço ficaria vulnerável.”
O especialista conta que quando é feita uma transferência de carteira A para carteira B, hoje só a A se revela, enquanto a B não. Porém, não era assim no passado. Carteiras do tempo da criação do bitcoin eram reveladas a cada transação, de modo que um computador quântico poderia fazer engenharia reversa para descobrir a chave privada a partir da chave pública.
“Uma transação cripto costuma demorar dez minutos até que o bloco seja fechado. Durante esses dez minutos a carteira fica pública no blockchain. Um computador quântico poderia quebrar em 9 minutos.”
Para resolver o problema, será preciso criar uma assinatura criptograficamente segura, que seria maior do que a do Bitcoin. No estágio atual, elas precisam ser mais testadas antes da comunidade adotar.
“Na prática, mesmo a alternativa mais eficiente entre os esquemas analisados ainda é mais de 10 vezes maior do que o modelo atual. Já no caso de soluções mais robustas, como SPHINCS+, o aumento é superior a 120 vezes”, lembra Chu.
Em 23 de junho, nove instituições anunciaram o Bitcoin Security Consortium: Anchorage Digital, ARK Invest, BlackRock, Block, Blockstream, Coinbase, Fidelity Digital Assets, Galaxy e Strategy.
“O diagnóstico de que nenhum desenvolvedor quer liderar continua válido, mas surgiu um mecanismo que contorna o problema: em vez de esperar que um formador de consenso assuma o custo reputacional e regulatório de puxar a mudança, os maiores detentores institucionais passaram a financiar a capacidade de execução sem reivindicar autoridade sobre o protocolo”, avalia o especialista.
“A ameaça quântica deve ser interpretada como um risco estrutural de transição, e não como uma sentença definitiva contra os criptoativos.”
Chu falou com a EXAME durante o Blockchain.RIO 2026.
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