Repórter
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 13h23.
Após dias de críticas por rejeitar ajuda internacional, o governo da Colômbia autorizou nesta quinta-feira a atuação de equipes estrangeiras de busca e resgate nas áreas atingidas pelo terremoto de magnitude 7,4.
A permissão, porém, foi limitada a quatro países: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.
A decisão ocorre no fim da janela de 72 horas considerada mais importante para localizar sobreviventes sob os escombros. O terremoto deixou mais de 265 mortos, cerca de 3,5 mil feridos e mais de 500 desaparecidos, segundo dados divulgados pelas autoridades colombianas.
O chanceler colombiano, Omar Bula, afirmou que a seleção dos países foi baseada na experiência das equipes de busca e resgate e em certificações internacionais. Segundo ele, Bogotá não adotou critérios ideológicos ou políticos para decidir quais ofertas seriam aceitas.
Outros governos haviam oferecido ajuda desde os primeiros dias após o terremoto, incluindo Brasil, México, Chile, Argentina e Espanha. Até agora, porém, essas equipes não foram autorizadas a participar das operações de resgate.
Os Estados Unidos já haviam anunciado US$ 15,5 milhões em ajuda para abrigos de emergência, alimentos, proteção e avaliação dos danos. Washington também mobilizou uma equipe especializada em resposta a desastres.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou na quarta-feira com o chanceler colombiano. Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro prepara o envio de ajuda humanitária, incluindo medicamentos, alimentos e equipamentos para purificação de água.
A Colômbia, no entanto, não solicitou ao Brasil o envio de equipes de busca e resgate. A assistência brasileira deverá ser definida conforme as necessidades apresentadas pelo governo colombiano.
O governo mexicano também afirmou que mantinha uma equipe especializada pronta para viajar à Colômbia, mas que Bogotá exigiu uma certificação adicional para autorizar a operação.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que a equipe está preparada para partir. O México tem experiência em operações desse tipo e enviou equipes de resgate para outros países atingidos por terremotos.
A China também criticou a demora para organizar a cooperação internacional. O embaixador chinês em Bogotá, Zhu Jingyang, pediu que o governo colombiano divulgasse um contato oficial para coordenar a assistência.
Além das operações de resgate, o governo de Abelardo De La Espriella decretou emergência econômica para acelerar a resposta à crise. A medida permite alterar o orçamento e criar tributos sem a tramitação convencional no Congresso.
O governo pretende concentrar os recursos nacionais e internacionais no chamado “Fundo Milagre”, destinado à reconstrução de hospitais, escolas, imóveis, estradas e aeroportos danificados pelo terremoto.
Mais de 11 mil imóveis foram destruídos e milhares de famílias estão desabrigadas. As equipes de emergência continuam trabalhando nas regiões mais afetadas, apesar do fim da janela considerada crítica para encontrar sobreviventes.
*Com O Globo e AFP