Delcy Rodríguez: 'agressão militar sem precedentes'
Redação Exame
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 17h05.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos de promoverem uma “agressão militar sem precedentes” contra o país e classificou como “sequestro ilegal e ilegítimo” a captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, por forças armadas americanas durante uma operação realizada na madrugada.
Em pronunciamento transmitido em cadeia nacional, Rodríguez afirmou que a ação ocorreu às 1h58 e teria como objetivo central promover uma mudança de regime na Venezuela e assumir o controle de seus recursos naturais, especialmente energéticos e minerais. “Advertimos que estava em curso uma agressão sob falsos pretextos. O verdadeiro objetivo sempre foi a mudança de regime e a captura dos nossos recursos”, disse.
Mais cedo, a Reuters havia noticiado que Rodríguez estava na Rússia. A CNN, por sua vez, confirmou que o pronunciamento da vice de Maduro foi feita diretamente de Caracas. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Rodríguez teria tido uma longa conversa com o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, e se colocado à disposição para negociar com os EUA. Mas o tom da vice, em seu pronunciamento, foi diferente.
Segundo Rodríguez, o governo venezuelano convocou imediatamente o Conselho de Defesa da Nação, com a participação dos poderes públicos do país, incluindo representantes do Legislativo e do Judiciário.
Rodríguez afirmou que um decreto de estado de exceção foi assinado por Maduro antes de sua captura e encaminhado ao Tribunal Supremo de Justiça para respaldo constitucional e execução imediata das medidas previstas.
Ao longo do discurso, a vice-presidente acusou Washington de violar os artigos 1º e 2º da Carta das Nações Unidas e de cometer atos que configurariam crimes de lesa-humanidade, ao citar bloqueios econômicos e ações militares contra o país. “O que está sendo feito com a Venezuela é uma barbárie”, declarou.
Rodríguez reiterou que, para o governo venezuelano, Maduro segue sendo “o único presidente legítimo” do país e convocou a população a manter a calma e a unidade nacional diante do que chamou de agressão externa.
“Chamamos o povo venezuelano a enfrentar este momento em perfeita união nacional, em defesa da soberania, da democracia e da independência”, afirmou.
A vice-presidente também fez apelos à mobilização popular e à integração entre forças civis e militares, destacando a necessidade de proteger a produção interna de alimentos, medicamentos e bens essenciais, mencionando a resistência do país ao longo de 2025 frente a sanções e dificuldades econômicas.
No trecho final do pronunciamento, Rodríguez ampliou o discurso para a América Latina, pedindo solidariedade dos países da chamada “pátria grande”. Segundo ela, a ação contra a Venezuela representa um precedente perigoso para a região.
“O que hoje fizeram com a Venezuela podem fazer com qualquer país”, afirmou, ao sustentar que o governo buscará manter relações internacionais apenas “no marco da legalidade e do respeito”.
Até o momento, não houve divulgação oficial de detalhes adicionais sobre o local onde Maduro e a primeira-dama estariam detidos nem sobre os próximos desdobramentos diplomáticos da crise.