8 lições que os EUA tiraram do 11 de setembro

Especialista que foi aluno do FBI e do serviço-secreto americano fala sobre o país aprendeu com a tragédia

São Paulo – As perdas que os Estados Unidos sofreram no dia 11 de setembro de 2001 sempre serão foco das discussões sobre o ataque terrorista ao World Trade Center. Entretanto, 10 anos depois do atentado, o país mostra que tirou lições da tragédia, principalmente sobre questões ligadas à segurança nacional e estratégias militares.

Em entrevista a EXAME.com, o especialista em segurança Hugo Tisaka listou alguns dos aprendizados do país com o atentado. Dentre eles estão itens que já faziam parte da lista do país, mas subiram vários degraus na escala de prioridades. São exemplos a atenção redobrada com imigrantes e o preparo para defesa contra armas “não-convencionais”, como no caso dos aviões usados pelos terroristas.

O problema é que a desconfiança e a xenofobia ganharam força à medida que a segurança aumentou. Segundo Tisaka, atualmente os americanos fazem alarde quando encontram uma mochila ou pacote abandonado que sejam suspeitos. Além disso, nos países em que os EUA entrou para caçar os terroristas, a intolerância dos soldados a possíveis ameaças, fossem elas homens, mulheres ou crianças, criou um clima de "atire primeiro e pergunte depois". 

Hugo Tisaka é pós-graduado em estratégia militar e trabalhou a serviço da FIFA coordenando a segurança de todas as equipes de futebol e delegações da Copa do Mundo sub-17, na Nigéria. Ele tem no currículo cursos com a Swat, força tática norte-americana, e com agentes do serviço secreto dos EUA e do FBI. Abaixo, Tisaka fala sobre oito lições que os americanos aprenderam com o 11 de setembro.

1 Nem sempre ser maior é melhor

“Na guerra convencional entre dois países, o conflito é mais ou menos simétrico, os grupos têm mais ou menos o mesmo tamanho. Até os ataques, os EUA estavam preparados para combater outro Estado, mas não um grupo pequeno. Nunca haviam precisado invadir favelas ou cidades como as do Iraque e do Afeganistão, com ruas estreitas. Eles tiveram que aprender a usar armamentos e táticas diferentes. Ficou claro para eles que a supremacia tecnológica e numérica não é suficiente para ganhar uma guerra”, explica Tissaka.


2 Evite o "mano-a-mano"

Desde a guerra do Vietnã, as mortes de soldados nas campanhas militares norte-americanas sempre deixaram no país feridas difíceis de cicatrizar. Por isso, quando os EUA começaram a pensar em ataques ao Iraque e ao Afeganistão na guerra contra o terror, o país reforçou o desenvolvimento de técnicas de combate para evitar o “mano-a-mano”.

Tisaka diz que uma delas foi o uso de aeronaves sem tripulação. Pilotados remotamente, estes aviões e helicópteros permitiam o ataque sem arriscar a vida dos soldados americanos. Outra técnica incorporada com mais consistência nos combates foi a chamada BVR (sigla em inglês que significa “além do alcance visual”). O país desenvolveu armas que podem ser disparadas antes que os soldados consigam ver os inimigos.

3 Mantenha os terroristas “bem informados”

Embora os EUA não tenham inaugurado a prática da “contrainformação” após o 11 de setembro, ela ficou mais evidente desde então. O país passou a divulgar informações genéricas e às vezes até mesmo falsas sobre procedimentos de segurança e operações antiterrorismo. Muitas delas tinham o objetivo de confundir quem estivesse de olho nas notícias para antecipar os movimentos dos americanos.

4 Qualquer mochila pode ter uma bomba

Outra lição importante que os EUA tiraram do ataque ao WTC foi a necessidade de conscientizar a população sobre assuntos de segurança nacional. “Hoje em dia, se algum americano vê uma mochila largada, ou uma caixa suspeita na rua, já faz alarde, comunica a seguranças, polícia. Os EUA integraram processos de segurança e fizeram uma campanha forte com os americanos para que eles incorporassem algumas noções”, diz Tisaka.

5 Desconfie de aviões, carros, bicicletas...

Militares americanos admitiram mais de uma vez que o país não estava preparado para um ataque como o de 11 de setembro de 2001. Depois do episódio, o país redobrou a atenção com a possibilidade de terroristas usarem “armas não-convencionais”. “Um avião jogado contra uma torre é uma arma não-convencional. Os EUA tiveram que incorporar a preocupação com isso em sua lista de prioridades. Os terroristas são criativos e vão criando novas formas de usar produtos existentes no mercado para realizar ataques”, explica.


6 Desconfie também de homens, mulheres, cachorros...

Em suas experiências pós 11 de setembro, os EUA aprenderam ainda que, além de armas não-convencionais, os terroristas também usam soldados não-convencionais. Homens, mulheres, e até mesmo crianças e animais poderiam ser usados como vetores para carregar bombas. Os americanos redobraram a atenção.

Esta lição, entretanto, trouxe consequências. A intolerância fez com que soldados americanos matassem inocentes que fossem minimamente suspeitos. “Um dado que chama a atenção é o fato de que as mortes de crianças aumentaram muito nos países em que os EUA entraram para caçar grupos terroristas. Os soldados viam um suspeito se aproximando e atiravam”, diz Hugo Tisaka.

7 O inimigo mora ao lado

Uma das consequências dos ataques terroristas aos EUA em setembro de 2001 foi o aumento no rigor das leis de imigração. O atentado criou um sentimento de ‘estamos dormindo com o inimigo’, principalmente com relação aos imigrantes de países árabes. O problema é que no mesmo pacote da precaução, veio também a xenofobia. Tisaka diz que “a sensação dos imigrantes de que estão sendo oprimidos nos EUA aumentou muito depois dos atentados”.

8 Mais agentes em voos

O grupo de agentes federais designados especialmente para garantir a segurança em aeronaves foi criado nos anos 1960 pelo presidente John F. Kennedy. Sua função era, basicamente, viajar disfarçado em voos nacionais e internacionais para agir caso alguém ameaçasse os passageiros ou a tripulação. Estes agentes tinham permissão para permanecerem armados a bordo.

Entretanto, havia poucos oficiais na função. No dia 11 de setembro de 2001, eram pouco mais de 30 em serviço. Depois do atentado, o presidente George W. Bush ordenou uma expansão urgente deste grupo. Cinco anos depois, a força especial somava milhares de agentes. Atualmente eles continuam em ação, presentes, mas imperceptíveis em muitos voos domésticos ou que chegam aos EUA.

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