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O dilema do Partido Republicano: quando era a hora certa de romper com Trump?

Políticos do Partido Republicano poderão ser julgados pelo tempo que demoraram para romper com o presidente Donald Trump

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército americano tentou identificar soldados suspeitos de serem comunistas por terem lutado na década de 1930 contra as forças fascistas de Francisco Franco, da Espanha. Alguns destes soldados, naquela época e posteriormente, descreviam a si próprios de modo jocoso como “antifascistas precoces” — ou seja, eles estavam sendo alvo de perseguições por terem percebido muito cedo o mal do fascismo.

Ninguém está chamando o presidente Donald Trump de fascista ou protofascista. Bem, pensando melhor, muita gente está. Mas este texto não é sobre isso. O ponto é que o Partido Republicano terá de passar pelo mesmo processo pelo qual o Exército americano passou nos anos 1940: em que momento o certo era ficar contra Trump? Muito cedo transforma você, aos olhos de algumas pessoas, em um Reza — um republicano só para zelar pela aparência. Muito tarde faz de você um facilitador, ao lado de fins-de-carreira como Rudy Giuliani, Sidney Powell e Peter Navarro.

O espectro é amplo. Bill e Hillary Clinton foram ao casamento de Donald e Melania Trump em Mar-a-Lago em 2005. Mais recentemente, em 2015, Trump disse que adoraria “ter tido Oprah”, no caso a Winfrey, como candidata a vice-presidente em sua chapa. Porém, é seguro dizer que ninguém afirmaria que os Clinton ou Oprah Winfrey ficaram muito tempo ao lado de Trump.

Mais relevantes são os republicanos que assinaram embaixo de Trump, torcendo pelo melhor. Gary Cohn, o ex-presidente do Goldman Sachs, caiu fora relativamente cedo, pedindo demissão do cargo de diretor do Conselho Econômico Nacional em março de 2018. Sua reputação continua intacta: nesta semana, a IBM o contratou como vice-presidente.

Rex Tillerson, o ex-presidente da Exxon Mobil, pediu demissão do cargo de secretário de Estado em março de 2018. O secretário de Defesa Jim Mattis se demitiu em protesto em dezembro de 2018, mesmo mês em que a Casa Branca anunciou que o chefe de gabinete John Kelly estava “de saída”. O secretário de Defesa Mark Esper saiu logo após a eleição presidencial de 2020. Muitos dos vários pedidos de demissão ao longo dos últimos quatro anos aconteceram sob pressão de Trump, mas isso não é necessariamente uma mancha na carreira de quem sai: pode significar que elas confrontaram o que viram como mau comportamento.

Os últimos dias têm testemunhado uma nova onda de demissões. Nesta quinta-feira, Mick Mulvaney, ex-chefe de gabinete da Casa Branca, disse que se demitiu do posto de enviado especial à Irlanda do Norte. “Saio porque é a única coisa que eu poderia fazer — oficialmente — para manifestar meu descontentamento com o que aconteceu ontem”, disse Mulvaney à Bloomberg News. Matthew Pottinger, vice-assessor de Segurança Nacional, também pediu demissão nesta quinta. Aqueles que permanecerem nos cargos podem estar tentando se convencer de que sair agora, e deixar Trump se virar sozinho, pode piorar ainda mais as coisas.

Os republicanos no Congresso têm de passar pelo mesmo acerto de contas. O senador Mitt Romney, de Utah? Um dos primeiros a romper. O líder dos republicanos, Mitch McConnell? Não tão cedo assim, embora no dia do levante ele tenha de fato declarado que as tentativas de reverter a eleição com violência iriam “ferir nossa República para sempre”. Josh Hawley, senador do Missouri? Continua no time Trump. Ele foi filmado fazendo uma saudação de punho fechado para a multidão de apoiadores de Trump antes que eles invadissem o Capitólio — e mais tarde insistiu em levar adiante um esforço condenado ao fracasso de negar a certificação das cédulas do Colégio Eleitoral.

É estranho que o Partido Republicano tenha sido refeito à imagem de Trump de modo tão intenso que mesmo que ele esteja de saída em desgraça, a identificação partidária gira em torno de quando você se afastou dele. Para parafrasear os veteranos da Guerra Civil Espanhola, você era um anti-Trump precoce?

Tradução por Fabrício Calado Moreira

 

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