Negociações nucleares com o Irã avançam lentamente
As potências do grupo 5+1 se deram uma semana extra, até 7 de julho, para tentar fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano
Da Redação
Publicado em 3 de julho de 2015 às 09h38.
Viena - As potências envolvidas nas negociações nucleares com o Irã continuavam trabalhando nesta quinta-feira para chegar a um acordo, mas por enquanto, sem avanços, cinco dias antes de expirar o prazo extra para alcançar um compromisso definitivo, embora algumas autoridades tenham se mostrado otimistas.
O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukiya Amano, reuniu-se em Teerã com o presidente do Conselho Supremo Nacional de Segurança iraniano, Ali Shamjani, e posteriormente se encontrou com o presidente Hassan Rohani, para buscar uma nova forma de resolver uma das questões mais complexas da negociação: as inspeções internacionais de instalações iranianas, suspeitas de desenvolver a bomba atômica.
"Não penso que estejamos, ainda, em um momento de avanços", declarou o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, antes de se somar às discussões que começaram há seis dias na capital austríaca entre as potências do grupo 5+1 e Teerã e antes de se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry.
Mas, "o trabalho continua"."Nos próximos dias, verão ministros ir e vir para manter o impulso das negociações", acrescentou.
No entanto, o presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou nesta quinta-feira que o dossiê poderia ser rapidamente resolvido ante a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ao receber Amano.
"No que diz respeito a certas questões que ainda parecem ambíguas, poderiam ser resolvidas a curto prazo se houver vontade de ambas as partes e não forem incluídas questões não técnicas", disse Rohani, cujas palavras foram publicadas no site de seu governo na internet. Acrescentando que "o Irã está disposto a alcançar um acordo justo sobre os assuntos em suspenso, em um momento determinado e no âmbito dos regulamentos existentes".
As potências do grupo 5+1 (Reino Unido, China, França, Rússia, Estados Unidos e Alemanha) se deram uma semana extra, até 7 de julho, para tentar fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano após 20 meses de intensas negociações.
O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, parecia mais otimista.
"Confiamos em que finalmente as partes envolvidas chegarão a um acordo equitativo, equilibrado e justo. Penso que há fortes possibilidades", acrescentou o ministro chinês.
'Ainda não estamos lá'
"É evidente que ainda não estamos lá", admitiu o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, aos jornalistas. "Há obstáculos pequenos e grandes e estamos trabalhando para eliminá-los", assegurou.
"Se a vontade e a coragem de todos bastará, é uma pergunta que ainda não podemos responder", acrescentou.
O negociador em chefe russo, Serguei Riabkov, afirmou, por sua vez, que o acordo está "próximo".
"Não posso prever quantas horas serão necessárias para resolver este assunto. Mas cada uma das partes é da opinião de que o caso será resolvido nos próximos dias", declarou Riabkov, segundo a agência de notícias russa TASS, acrescentando que o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, não viajará a Viena nem na sexta-feira, nem no sábado.
O chanceler francês, Laurent Fabius, declarou que voltaria no domingo a Viena "com a esperança de encontrar uma solução definitiva".
A AIEA suspeita que Teerã tenha feito investigações, pelo menos até 2003, para fabricar uma bomba atômica, razão pela qual quer ter acesso aos locais e aos cientistas envolvidos nestes trabalhos.
O Irã sempre desmentiu querer desenvolver um arsenal atômico e diz que os documentos em que a AIEA se baseia são falsos.
A entidade da ONU, encarregada da energia atômica, que envia diariamente entre quatro e dez inspetores no Irã, já tem acesso a determinadas instalações nucleares, mas as grandes potências querem reforçar o poder e o perímetro das inspeções, algo ao que as autoridades iranianas se negam.
A visita de Amano a Teerã, convidado pelo Irã, tem como objetivo dar um salto de qualidade nas negociações deste ponto árido.
"Qualquer pacto que assegure a continuação e o progresso da indústria nuclear com fins pacíficos e a suspensão incondicional das sanções injustas e ilegais será visto como positivo", disse Shamjani, citado pela agência iraniana IRNA.
Kerry devia se reunir mais tarde com o colega iraniano, Mohamad Javad Zarif, para continuar negociando.
A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, por sua vez, posicionou-se alinhada aos seus colegas europeus em seu retorno à capital austríaca.
"Ainda não estamos lá, mas avançamos; sendo assim, correrá bem", assegurou.
Perguntado pelos jornalistas sobre as opções de um acordo, Zarif respondeu que tinha que ter "esperança" e rechaçou as informações que de voltaria a Teerã para receber instruções. "Estou aqui", disse, do terraço do seu quarto.
Entre as questões espinhosas que resta resolver, além das inspeções internacionais, estão o ritmo com o que serão levantadas as sanções ao Irã, o mecanismo de marcha à ré se Teerã não cumprir ou o desenvolvimento futuro de equipamento nuclear pela República Islâmica.
Viena - As potências envolvidas nas negociações nucleares com o Irã continuavam trabalhando nesta quinta-feira para chegar a um acordo, mas por enquanto, sem avanços, cinco dias antes de expirar o prazo extra para alcançar um compromisso definitivo, embora algumas autoridades tenham se mostrado otimistas.
O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukiya Amano, reuniu-se em Teerã com o presidente do Conselho Supremo Nacional de Segurança iraniano, Ali Shamjani, e posteriormente se encontrou com o presidente Hassan Rohani, para buscar uma nova forma de resolver uma das questões mais complexas da negociação: as inspeções internacionais de instalações iranianas, suspeitas de desenvolver a bomba atômica.
"Não penso que estejamos, ainda, em um momento de avanços", declarou o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, antes de se somar às discussões que começaram há seis dias na capital austríaca entre as potências do grupo 5+1 e Teerã e antes de se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry.
Mas, "o trabalho continua"."Nos próximos dias, verão ministros ir e vir para manter o impulso das negociações", acrescentou.
No entanto, o presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou nesta quinta-feira que o dossiê poderia ser rapidamente resolvido ante a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ao receber Amano.
"No que diz respeito a certas questões que ainda parecem ambíguas, poderiam ser resolvidas a curto prazo se houver vontade de ambas as partes e não forem incluídas questões não técnicas", disse Rohani, cujas palavras foram publicadas no site de seu governo na internet. Acrescentando que "o Irã está disposto a alcançar um acordo justo sobre os assuntos em suspenso, em um momento determinado e no âmbito dos regulamentos existentes".
As potências do grupo 5+1 (Reino Unido, China, França, Rússia, Estados Unidos e Alemanha) se deram uma semana extra, até 7 de julho, para tentar fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano após 20 meses de intensas negociações.
O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, parecia mais otimista.
"Confiamos em que finalmente as partes envolvidas chegarão a um acordo equitativo, equilibrado e justo. Penso que há fortes possibilidades", acrescentou o ministro chinês.
'Ainda não estamos lá'
"É evidente que ainda não estamos lá", admitiu o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, aos jornalistas. "Há obstáculos pequenos e grandes e estamos trabalhando para eliminá-los", assegurou.
"Se a vontade e a coragem de todos bastará, é uma pergunta que ainda não podemos responder", acrescentou.
O negociador em chefe russo, Serguei Riabkov, afirmou, por sua vez, que o acordo está "próximo".
"Não posso prever quantas horas serão necessárias para resolver este assunto. Mas cada uma das partes é da opinião de que o caso será resolvido nos próximos dias", declarou Riabkov, segundo a agência de notícias russa TASS, acrescentando que o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, não viajará a Viena nem na sexta-feira, nem no sábado.
O chanceler francês, Laurent Fabius, declarou que voltaria no domingo a Viena "com a esperança de encontrar uma solução definitiva".
A AIEA suspeita que Teerã tenha feito investigações, pelo menos até 2003, para fabricar uma bomba atômica, razão pela qual quer ter acesso aos locais e aos cientistas envolvidos nestes trabalhos.
O Irã sempre desmentiu querer desenvolver um arsenal atômico e diz que os documentos em que a AIEA se baseia são falsos.
A entidade da ONU, encarregada da energia atômica, que envia diariamente entre quatro e dez inspetores no Irã, já tem acesso a determinadas instalações nucleares, mas as grandes potências querem reforçar o poder e o perímetro das inspeções, algo ao que as autoridades iranianas se negam.
A visita de Amano a Teerã, convidado pelo Irã, tem como objetivo dar um salto de qualidade nas negociações deste ponto árido.
"Qualquer pacto que assegure a continuação e o progresso da indústria nuclear com fins pacíficos e a suspensão incondicional das sanções injustas e ilegais será visto como positivo", disse Shamjani, citado pela agência iraniana IRNA.
Kerry devia se reunir mais tarde com o colega iraniano, Mohamad Javad Zarif, para continuar negociando.
A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, por sua vez, posicionou-se alinhada aos seus colegas europeus em seu retorno à capital austríaca.
"Ainda não estamos lá, mas avançamos; sendo assim, correrá bem", assegurou.
Perguntado pelos jornalistas sobre as opções de um acordo, Zarif respondeu que tinha que ter "esperança" e rechaçou as informações que de voltaria a Teerã para receber instruções. "Estou aqui", disse, do terraço do seu quarto.
Entre as questões espinhosas que resta resolver, além das inspeções internacionais, estão o ritmo com o que serão levantadas as sanções ao Irã, o mecanismo de marcha à ré se Teerã não cumprir ou o desenvolvimento futuro de equipamento nuclear pela República Islâmica.