Donald Trump e Irã: o presidente americano indicou que continuará a campanha no Oriente Médio (Saul Loeb/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 8 de julho de 2026 às 13h42.
Última atualização em 8 de julho de 2026 às 17h41.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8, que não acredita que quer chegar a um acordo com o Irã após a volta dos ataques em Ormuz na última semana. A fala ocorre durante à cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia.
"Não acho que queira chegar a um acordo com eles. Podemos jogar jogos, mas eu não acho que quero chegar a um acordo. Vou apenas terminar o trabalho", afirmou o republicano durante coletiva de imprensa.
Trump também afirmou que acredita que a campanha militar americana no Irã foi um "tremendo sucesso" e que o único objetivo era "desnuclearizar o país". "Eu apenas posso dizer que eles não terão uma arma nuclear", disse.
As falas ocorrem em meio à suspensão do cessar-fogo entre os países, firmado no meio de junho. Nesta terça-feira, 7, houve o retorno de ataques americanos ao Irã, após três petroleiros, entre eles um navio do Catar, serem atingidos por projéteis com poucas horas de diferença no Estreito de Ormuz, segundo monitores marítimos e o Catar.
"As forças do Comando Central dos EUA iniciaram uma série de ataques contundentes contra o Irã para impor custos elevados pela ação de visar e atacar navios comerciais tripulados por civis inocentes em uma via navegável internacional", afirmou o Comando Central dos EUA na rede social X. "Os ataques dos EUA são uma resposta a investidas iranianas contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. A agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo."
U.S. Central Command forces have begun launching a series of powerful strikes against Iran to impose heavy costs for targeting and attacking commercial shipping crewed by innocent civilians in an international waterway. The U.S. strikes are in response to Iranian attacks on three…
— U.S. Central Command (@CENTCOM) July 7, 2026
Durante a coletiva de imprensa da tarde desta quarta-feira, Trump também afirmou que a guerra no Irã é algo que "deveria ter sido feito há 47 anos", em referência à Revolução Islâmica de 1979, liderada pelo aitolá Khomeini, que instaurou o atual sistema político do país. "Eu estou fazendo o que é certo para o mundo", afirmou o americano.
"O líder deles se foi, os novos líderes também poderão se ir. Eu mesmo posso ir, pois sou o alvo número um deles", disse Trump.
No entanto, ele acredita que qualquer retorno da atividade militar acabará rapidamente devido à superioridade do arsenal norte-americano. "Eles não têm mais forças armadas. A aeronáutica deles se foi, a marinha deles se foi, com 159 navios no fundo do mar", afirmou.
Mais cedo nesta quarta-feira, Trump disse considerar que o acordo de cessar-fogo com o Irã estava acabado, após os dois países voltarem a trocar ataques.
"Para mim, acabou. Não quero negociar com eles. São pessoas doentes", disse Trump ao ser questionado sobre o futuro do entendimento entre os dois países.
O republicano ainda afirmou que o Irã seria "escória, um povo doente".
Trump, no entanto, não descartou manter negociações. "Eu vou falar com os nossos negociadores. Eles querem negociar. "Mas, até onde eu sei, é perda de tempo", completou o presidente.
A declaração foi feita poucas horas depois de Washington retomar bombardeios contra alvos iranianos. Segundo os Estados Unidos, os novos ataques foram uma resposta a supostas ações iranianas contra embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, detalhou os ataques feitos na noite de terça. "Ontem à noite, como o senhor disse, muitas pequenas embarcações foram usadas para atacar navios, e esse foi um dos principais alvos do nosso ataque. Instalações subterrâneas onde se armazenavam drones ou mísseis, locais de defesa costeira, radares, sistemas de vigilância, qualquer coisa usada para atacar navios no Estreito de Ormuz. E esta noite, se necessário, sob suas ordens, senhor Presidente, atacaremos ainda mais", afirmou.
Em retaliação, Teerã informou ter lançado mísseis e drones contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, além de afirmar que parte do acordo de cessar-fogo firmado no mês passado se tornou "ineficaz" diante das medidas adotadas por Washington.
Donald Trump afirmou nesta quarta-feira que os preços do petróleo "estão mais baixos do que estavam quando começamos [os ataques]", no entanto, a nova escalada militar elevou os preços do petróleo ao maior nível em duas semanas e voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado.
A passagem concentra cerca de 20% do comércio marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e o fluxo de navios permanece reduzido desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que a revogação da licença para exportação de petróleo, anunciada na terça, e os novos ataques americanos inviabilizam parte do acordo firmado em junho.
O governo também voltou a alertar países da região para que não permitam o uso de seus territórios como base para novas ofensivas dos Estados Unidos.