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México nega interferência política nos EUA após acusações de Trump

Governo mexicano afirma que atuação consular segue princípio de não intervenção

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 10h28.

A Secretaria de Relações Exteriores (SRE) do México rejeitou na noite de quarta-feira, 28, acusações de que o país teria interferido em processos políticos dos Estados Unidos por meio de sua rede consular.

A resposta veio após o presidente americano Donald Trump divulgar um livro que sustenta essa narrativa.

Em nota, a chancelaria mexicana afirmou que as alegações são “falsidades sem fundamento” e negou “categoricamente” qualquer atuação de caráter político de seus consulados em território americano.

A manifestação ocorre depois de Trump promover, em suas redes sociais, o livro The Invisible Coup: How American Elites and Foreign Powers Use Immigration as a Weapon (“O golpe de Estado invisível: como as elites americanas e potências estrangeiras usam a imigração como arma”, em tradução literal), do autor americano Peter Schweizer.

A obra sustenta que o governo do México e o partido governista Movimento de Regeneração Nacional (Morena) estariam usando a migração em massa como instrumento político para influenciar a sociedade e a política dos Estados Unidos, por meio de uma rede de mais de 50 consulados mexicanos no país.

Embora o comunicado oficial não mencione diretamente o livro, a SRE afirmou que sua posição responde às acusações que passaram a circular nos últimos dias.

Política externa e atuação consular

“Nos últimos dias, circularam diversas notas em alguns meios de comunicação sobre supostas atividades de caráter político propiciadas a partir dos consulados mexicanos nos Estados Unidos. Trata-se de falsidades sem fundamento, que negamos e desmentimos categoricamente”, afirmou a chancelaria.

A SRE destacou que a política externa mexicana é orientada pelos princípios da não intervenção e do respeito à soberania, às instituições e aos processos legais de outros países, posição reiterada pela presidente do México, Claudia Sheinbaum.

Segundo o comunicado, em consonância com esses princípios, os consulados mexicanos “não promovem nem participam, direta ou indiretamente, de manifestações, protestos ou qualquer tipo de mobilização política” em território americano.

A chancelaria ressaltou ainda que a atuação da rede consular do México nos Estados Unidos segue a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, além dos acordos bilaterais vigentes entre os dois países.

De acordo com a SRE, as atividades consulares são realizadas em coordenação com autoridades locais, estaduais e federais amméericanas, sempre com respeito à legislação dos Estados Unidos e ao princípio de não intervenção.

Nesse contexto, os consulados concentram suas ações na assistência e proteção consular, como a emissão de documentos oficiais, apoio a cidadãos detidos e outros serviços administrativos, além da promoção de vínculos econômicos e culturais.

“Embora seja verdade que as tarefas de proteção e assistência consulares foram reforçadas, é absolutamente falso que se tenha buscado influenciar ou incentivar a participação em processos políticos internos dos Estados Unidos”, concluiu a chancelaria mexicana.

*Com informações da EFE 

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