María Corina Machado: premiada com o Nobel da Paz, opositora apoiou ofensiva dos EUA, mas não tem apoio de Trump. (Odd Andersen/AFP)
Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 06h06.
A líder opositora da Venezuela, María Corina Machado, afirmou que não mantém contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde 10 de outubro de 2025, quando foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz.
“Falei com o presidente Trump no dia 10 de outubro, mas não desde então”, disse Machado em entrevista ao programa “Hannity”, da rede Fox News, na segunda-feira, 5.
A líder da oposição recebeu o Nobel por sua luta contra o que o Comitê Norueguês chamou de “ditadura venezuelana”. Ela deixou o país no mês passado para viajar à Noruega, onde participou da cerimônia de premiação, e ainda não retornou a Caracas.
“Estou planejando voltar para casa o quanto antes”, afirmou.Segundo o jornal americano The Washington Post, o republicano, que já manifestou em diversas ocasiões seu desejo de receber o prêmio de Nobel da Paz, teria retirado o apoio à María Corina como nome para conduzir a transição política na Venezuela após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro.
Mesmo após agradecer a Trump e dedicar o prêmio a ele, fontes próximas à Casa Branca disseram ao The Washington Post que o fato de não ter recusado a premiação foi considerado por Trump um “pecado imperdoável”.
“Se ela tivesse recusado e dito: ‘Não posso aceitar porque pertence a Donald Trump’, hoje ela seria a presidente da Venezuela”, disse uma das fontes ao jornal americano, sob condição de anonimato.
Durante entrevista coletiva realizada neste domingo, 4 de janeiro, após a operação que resultou na prisão de Maduro em Caracas e na sua transferência para Nova York, Trump declarou que seria muito difícil para Machado assumir a presidência venezuelana neste momento. O presidente dos EUA alegou que ela não conta com apoio, nem respeito dentro do país.
De acordo com o jornal, a fala surpreendeu aliados da ativista. Uma pessoa próxima à equipe de Machado relatou que ela havia deixado o país secretamente após meses na clandestinidade para comparecer à cerimônia do Nobel em Oslo, na Noruega.
Foi a primeira entrevista de Machado desde que os Estados Unidos lançaram ataques militares na Venezuela no último sábado, 3, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Ela elogiou a operação e afirmou que "é um passo gigantesco para a humanidade, pela liberdade e pela dignidade humana."
Após a prisão de Maduro, a vice-presidente e ministra do Petróleo, Delcy Rodríguez, foi nomeada presidente interina na segunda-feira, 5. Em coletiva de imprensa após a ação militar, Trump afirmou que Machado seria "simpática, mas que não tem o respeito do povo venezuelano".