Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em imagem de arquivo (AFP)
Redação Exame
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 09h47.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou neste domingo, 1º, que as recentes ameaças dos Estados Unidos não intimidam o povo iraniano e advertiu que qualquer confronto armado poderá se transformar em uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. As declarações foram feitas durante um discurso em Teerã, segundo informou a agência EFE.
“Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, disse Khamenei, ao se dirigir a milhares de pessoas reunidas por ocasião do aniversário do retorno do aiatolá Ruholá Khomeini ao Irã, em 1979 — dez dias antes da vitória da Revolução Islâmica.
Durante o discurso, o líder político e religioso mais poderoso do Irã garantiu que o país não pretende iniciar um conflito, mas que responderá com firmeza a qualquer ataque.
“Não seremos nós os que começaremos uma guerra, mas daremos um golpe firme em qualquer um que nos atacar”, declarou, em referência às ameaças de Washington.
Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram uma frota liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Golfo Pérsico, como demonstração de força diante das tensões com Teerã em torno do programa nuclear iraniano.
Ainda assim, o presidente americano, Donald Trump, tem afirmado que prefere buscar uma solução diplomática. “O Irã está negociando conosco e veremos se podemos fazer algo; caso contrário, veremos o que acontece”, declarou Trump, segundo a EFE.
Khamenei minimizou os movimentos militares americanos e rejeitou o tom beligerante de Trump. “Este senhor afirma constantemente que enviaram porta-aviões e outras coisas. Com essas ameaças, não se pode assustar o povo iraniano”, disse o aiatolá.
Durante o pronunciamento, o líder iraniano também acusou os Estados Unidos e Israel de estarem por trás dos protestos antigovernamentais registrados entre 28 de dezembro e 11 de janeiro.
Segundo Khamenei, as manifestações tinham características de um golpe de Estado. “Atacaram a polícia, centros governamentais, a Guarda Revolucionária, bancos, mesquitas e até incendiaram o Corão. Isso se assemelhava a um golpe”, afirmou.
O governo classificou os protestos como atos terroristas. A repressão às manifestações resultou na morte de 3.117 pessoas, conforme números oficiais.
No entanto, a ONG oposicionista HRANA, com sede nos Estados Unidos, afirma que o número de mortos pode chegar a 6.713, além de outras 17 mil denúncias de homicídios que ainda estariam sendo investigadas.
Em meio à escalada de tensões, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em telefonema com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, que uma guerra não traria benefícios nem para o Irã, nem para os Estados Unidos, nem para a região.
Teerã, segundo ele, está disposta a participar de um processo diplomático “significativo, lógico e justo” com os EUA sobre a questão nuclear, mas rejeita qualquer negociação sobre seus sistemas de mísseis e capacidades militares — pontos exigidos por Washington.