Japão e Coreia do Sul pressionam a China por punições a norte-coreanos

São Paulo - Aumentou neste sábado a pressão sobre a China para que o gigante asiático apoie os esforços de Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos para punir a Coreia do Norte pelo afundamento de uma corveta sul-coreana, no qual morreram 46 marinheiros. A questão é um dos principais temas do encontro entre os […]
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Da RedaçãoPublicado em 29/05/2010 às 16:30.

São Paulo - Aumentou neste sábado a pressão sobre a China para que o gigante asiático apoie os esforços de Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos para punir a Coreia do Norte pelo afundamento de uma corveta sul-coreana, no qual morreram 46 marinheiros. A questão é um dos principais temas do encontro entre os líderes das três maiores potências do nordeste asiático - Pequim, Seul e Tóquio -, que ocorre em Seogwipo, um resort na ilha sul-coreana de Jeju.

A Coreia do Sul e o Japão prometeram permanecer unidos contra a Coreia do Norte antes mesmo do início do encontro, cujo objetivo original era intensificar os planos para uma cooperação regional maior e integração econômica. Já a China não demonstrou qualquer sinal de que esteja interessada em retaliar sua aliada.
O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao disse esperar que seja possível "alcançar a paz" por meio deste encontro. Uma fonte americana próxima às negociações, porém, disse à agência de notícias Associated Press que a China vai, gradualmente, aceitando a ideia de punir a Coreia do Norte.

Encontro - Em negociações nos próximos dois dias, o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, e o premiê chinês, Wen Jiabao, devem debater o assunto, que causou um impasse entre China e seus vizinhos, que apoiam ações internacionais firmes contra Pyongyang. Hatoyama sugeriu, e os três líderes aceitaram fazer um minuto de silêncio antes das negociações, pela morte dos marinheiros.

"As ações provocativas da Coreia do Norte são imperdoáveis", afirmou Hatoyama a Lee Myung-bak antes do encontro, segundo uma autoridade do governo japonês. "O Japão, assim como a comunidade internacional, está condenando tais ações e apoia fortemente a Coreia do Sul."

Tensão - O crescente antagonismo entre as Coreias prejudicou os mercados, com investidores preocupados de que o confronto possa se tornar um conflito armado na região que engloba a segunda e a terceira maiores economias do mundo, o Japão e a China.

Analistas dizem que nenhum dos lados está pronto para ir à guerra. A China considera a vizinha Coreia do Norte uma amiga e um fator de equilíbrio em relação aos outros países próximos, que são apoiados pelos Estados Unidos. Os chineses não condenaram Pyongyang, dizendo que precisam analisar as evidências e pedindo comedimento para ambos os lados.

China - Wen permaneceu com essa posição durante um encontro com Lee na sexta-feira, mas também afirmou que Pequim não protegerá o culpado pelo afundamento. Em suas considerações iniciais na reunião, o premiê chinês não citou o navio Cheonan e usou um tom otimista.

"Quero trabalhar com o presidente Lee e o primeiro-ministro Hatoyama para alcançar sólidos resultados e enviar uma mensagem ao mundo de confiança e esperança na paz, estabilidade e desenvolvimento (na região)", disse Wen.

Seul precisa do apoio ou da abstenção da China para votar uma resolução ou declaração da ONU criticando a Coreia do Norte pelo afundamento. Como membro permanente do Conselho de Segurança, a China tem poder de veto em tais ações.

O ataque - Um relatório sobre a investigação do naufrágio aponta que um torpedo disparado de um submarino da Coreia do Norte foi o responsável pelo afundamento, no Mar Amarelo, da corveta Chenoan. Após a divulgação do documento, o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, prometeu "medidas enérgicas" contra Pyongyang. Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, determinou que as forças militares americanas trabalhem de maneira coordenada com a Coreia do Sul para "garantir prontidão". O objetivo é deter futuras agressões da Coreia do Norte.

O governo da Coreia do Norte nega qualquer envolvimento no naufrágio e já ameaçou iniciar uma guerra caso a vizinha do Sul inicie retaliações contra o regime de Kim Jong-II. Hillary chegou a Seul após Pyongyang cortar relações com os sul-coreanos e banir os navios do vizinho de suas águas territoriais. O Sul suspendeu, no começo da semana, o comércio com o Norte e prometeu levar o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
 

(Com agência Reuters)