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Irã nomeia Mojtaba Khamenei como sucessor após morte de Ali Khamenei

Escolha do filho do aiatolá morto concentra ainda mais poder no núcleo duro do regime, enquanto conflito com EUA e Israel entra no nono dia[

Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, participa de ato em Teerã durante as celebrações do aniversário da Revolução Islâmica, em 11 de fevereiro de 2020 (Getty Images)

Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, participa de ato em Teerã durante as celebrações do aniversário da Revolução Islâmica, em 11 de fevereiro de 2020 (Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 8 de março de 2026 às 18h50.

O Irã anunciou na noite deste domingo a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, em sucessão a seu pai, Ali Khamenei, morto nos primeiros ataques da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra Teerã. A decisão, segundo a Reuters, foi tomada pela Assembleia de Especialistas, colegiado de 88 clérigos responsável por escolher a principal autoridade política e religiosa da República Islâmica.

Mojtaba, descrito como um clérigo de escalão intermediário, já era apontado como um dos favoritos nos bastidores por sua influência sobre as forças de segurança e sobre redes empresariais ligadas ao aparato construído durante o governo do pai. Com a nomeação, ele passa a ter a palavra final sobre os assuntos de Estado no país.

A escolha sinaliza a permanência dos linha-dura no comando de Teerã em um momento de pressão militar inédita sobre o regime. A sucessão ocorre em meio à intensificação da guerra e à tentativa de preservar a cadeia de comando iraniana após a morte do antigo líder supremo.

A declaração atribuída à Assembleia de Especialistas afirma que o órgão nomeou “Aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei” como o terceiro líder da história da República Islâmica. A estrutura institucional iraniana dá ao posto autoridade máxima sobre governo, Forças Armadas e diretrizes estratégicas do país.

Segundo o material enviado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que Washington deveria ter influência sobre a escolha do novo líder iraniano. A fala amplia o tom de confronto adotado pela Casa Branca desde o início da campanha militar. Israel, ainda antes do anúncio, também havia ameaçado atingir quem fosse escolhido para o cargo.

No mesmo contexto, o texto relata que as ofensivas de EUA e Israel já deixaram ao menos 1.332 civis iranianos mortos, além de milhares de feridos, de acordo com o embaixador do Irã na ONU, Organização das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, Teerã afirma que não busca cessar-fogo e promete retaliar os ataques, o que reduz o espaço para uma descompressão imediata da crise.

Escalada militar amplia pressão sobre Teerã

A guerra entrou no nono dia com novos bombardeios sobre a capital iraniana. De acordo com o relato reproduzido, uma fumaça preta espessa cobriu partes de Teerã após ataques a depósitos de combustível e instalações ligadas à infraestrutura de hidrocarbonetos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a ação como uma nova fase “perigosa” do conflito e como crime de guerra.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou na rede X, antiga Twitter, que os ataques a depósitos de combustível liberam materiais tóxicos no ar. Já Israel sustentou que as instalações serviam ao esforço militar iraniano, inclusive na produção ou no armazenamento de propelente para mísseis balísticos, e por isso seriam alvos legítimos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o governo seguirá com a ofensiva “sem misericórdia” contra os dirigentes iranianos. A fala reforça que a estratégia israelense não se limita a conter a capacidade militar do país, mas também busca desorganizar o centro político do regime.

O texto ainda menciona a morte de Abolqasem Babaian, apontado como recém-nomeado chefe do gabinete militar do líder supremo, em um ataque no sábado. Também cita a informação de que Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, e Jared Kushner devem visitar Israel nesta terça-feira, segundo o Axios, site americano de política e negócios.

No plano econômico, a continuidade da guerra já pressiona o mercado global de energia, afeta empresas e desorganiza rotas aéreas. Ao dizer que não buscava negociações para encerrar o conflito, Trump indicou que Washington mantém a lógica de coerção máxima, mesmo com o risco de prolongamento da instabilidade regional.

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