Estreito de Ormuz: Teerã reivindica o controle da passagem desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e ataca com frequência navios que tentam cruzá-la sem autorização (AFP/Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 2 de novembro de 2026 às 09h07.
O Irã estuda um plano para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, caso os Estados Unidos aceitem suas condições. A proposta anterior previa um prazo de seis dias para liberar a rota, essencial para o trânsito de petróleo e gás e bloqueada por Teerã desde o início da guerra.
A informação foi dada nesta segunda-feira, 2, por Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, segundo a agência AFP.
Baqaei apresentou a redução como mais uma demonstração de boa-fé do país. Na avaliação do porta-voz, se as demandas iranianas forem atendidas, a segurança em Ormuz poderá ser restabelecida e as negociações retomadas em um prazo muito curto.
O porta-voz afirmou que a troca de mensagens com Washington continua por meio de mediadores, mas que tudo depende da resposta americana. Só depois disso, segundo ele, será possível discutir as etapas seguintes.
A lista de exigências não é nova. Em setembro, o Irã havia enviado, por intermédio do Catar, um plano para reabrir o estreito seis dias após uma resposta dos Estados Unidos às suas demandas. Entre os pedidos estavam um cessar-fogo regional, a liberação dos ativos iranianos no exterior, o fim das sanções contra o setor de petróleo do país e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos.
Os mesmos pontos já constavam do protocolo de acordo fechado em junho, após um primeiro cessar-fogo em vigor desde abril. A trégua durou pouco, e os ataques foram retomados.
No domingo, 1º, o chanceler iraniano Abbas Araghchi acrescentou novos itens à lista em entrevista ao canal Al Jazeera. Ele afirmou que Washington também precisa aceitar a nova rota de trânsito de navios por Ormuz acordada entre o Irã e Omã, além de reduzir a presença militar americana no Oriente Médio.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Desde então, Teerã reivindica o controle do estreito e ataca com frequência navios que tentam cruzar a passagem sem sua autorização.
Com isso, a via se tornou um dos principais pontos de atrito entre os dois governos e palco habitual de ataques de parte a parte.
A frente militar está mais calma desde setembro, mas Estados Unidos e Israel, ambos em meio a processos eleitorais, voltaram a ameaçar retomar os ataques contra o Irã. Baqaei respondeu que qualquer agressão terá uma resposta contundente, imediata e global por parte de Teerã.
Do lado americano, o presidente Donald Trump reiterou a ameaça no domingo, durante um comício em Iowa, na reta final da campanha para as eleições de meio de mandato desta terça-feira, 3. No sábado, ele já havia dito que os Estados Unidos destruíram grande parte das capacidades militares iranianas, mas que ainda restavam "um ou dois" objetivos a cumprir.
No comício, Trump afirmou que só não acabou com o Irã ainda porque quer ser gentil e tentar salvar vidas. "Mas em algum momento teremos que dar um golpe contundente neles", disse.