Repórter
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 15h28.
Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 15h33.
O governo do Irã declarou, nesta terça-feira, que alcançou um entendimento com os Estados Unidos sobre os principais “princípios orientadores” para tratar do impasse envolvendo seu programa nuclear, após negociações indiretas realizadas em Genebra. Segundo autoridades iranianas, houve convergência sobre diretrizes centrais, mas pontos considerados sensíveis seguem sem definição.
De acordo com a emissora britânica BBC, representantes dos dois países reconheceram que divergências permanecem e que questões estruturais ainda precisam ser negociadas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as tratativas registraram avanço, mas destacou que “ainda há trabalho a ser feito”. Pelo lado americano, um funcionário ouvido pela emissora britânica declarou que “houve progresso”, porém ressaltou que “ainda há muitos detalhes a serem discutidos”.
A mediação ficou a cargo de Omã. O chanceler do país, Badr Albusaidi, informou que as reuniões “foram concluídas com bom progresso na identificação de objetivos comuns e de questões técnicas relevantes”.
O encontro ocorreu em meio ao aumento da tensão diplomática entre Teerã e Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem reiterado ameaças militares contra o governo iraniano, mencionando tanto a repressão a protestos internos quanto o avanço das atividades nucleares.
Estados Unidos e aliados europeus afirmam que o Irã se aproxima da capacidade de desenvolver uma arma nuclear, acusação negada de forma reiterada por Teerã. O governo iraniano sustenta que seu programa tem finalidade civil.
Antes da rodada realizada nesta terça-feira, na residência do embaixador de Omã na Suíça, o Irã indicou que pretendia concentrar o diálogo em seu programa nuclear e na possível suspensão das sanções econômicas impostas por Washington. A delegação americana sinalizou interesse em incluir na agenda o programa de mísseis iraniano.
Segundo um funcionário dos EUA, o governo iraniano se comprometeu a apresentar, nas próximas duas semanas, propostas detalhadas para reduzir as diferenças entre as posições dos dois países.
Em entrevista à emissora norte-americana Fox News, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, avaliou que o processo apresentou resultados distintos.
"Em alguns aspectos, correu bem; eles concordaram em se reunir novamente. Mas ficou muito claro que o presidente estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão dispostos a reconhecer".
Trump classificou as conversas como “muito importantes” e afirmou que participa “indiretamente” das negociações, indicando que o governo iraniano estaria mais disposto ao diálogo nesta etapa.
"Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo", disse o presidente a jornalistas a bordo do Air Force One, ao mencionar que, no ano passado, os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas.
Ele citou o uso de bombardeiros furtivos B-2 nas operações.
"Poderíamos ter fechado um acordo em vez de enviar os B-2 para eliminar seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2. Espero que sejam mais razoáveis".
Nesta quarta-feira, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, declarou que Washington impedirá o Irã de obter armas nucleares “de um jeito ou de outro”. A fala reforçou o posicionamento da Casa Branca após a nova rodada de negociações indiretas realizada em Genebra.
A declaração ocorreu durante reunião ministerial da Agência Internacional de Energia, em Paris.
"Os iranianos foram muito claros sobre o que farão com armas nucleares. É totalmente inaceitável", disse Wright. "Portanto, de um jeito ou de outro, vamos impedir o avanço do Irã rumo às armas nucleares".
O contexto inclui o aumento da presença militar americana na região nas últimas semanas. A BBC confirmou, por imagens de satélite, a presença do porta-aviões USS Abraham Lincoln nas proximidades do território iraniano.
Relatos indicam que os Estados Unidos também enviaram o USS Gerald R. Ford, descrito como o maior navio de guerra do mundo, ao Oriente Médio. A embarcação pode chegar à região nas próximas semanas. O número de destróieres, navios de combate e caças americanos também cresceu na área.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reagiu às declarações americanas.
"Mais perigosa do que um porta-aviões é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar", afirmou.
Khamenei também acusou os Estados Unidos de tentar “predeterminar” o resultado das negociações, classificando a postura como “errada e tola”.
Na segunda-feira, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica realizou exercício naval no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o fluxo global de petróleo.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que um acordo será “muito difícil”, embora tenha reconhecido a existência de espaço para entendimento diplomático.
"Há uma chance de alcançar um entendimento pela via diplomática, mas será difícil", declarou durante visita à Hungria.
As primeiras conversas indiretas entre Irã e Estados Unidos neste ano ocorreram em Omã e foram descritas por Araghchi como “um bom começo”.
(Com informações da agência AFP)