Irã acusa EUA de elevar tensões no Oriente Médio

Biden disse, no sábado, a uma plateia formada por líderes árabes que os Estados Unidos que não vão tolerar que um país tente dominar outro na região, por meio de acumulação militar
 (Denis Doyle/Getty Images)
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AFPPublicado em 17/07/2022 às 12:08.

O Irã acusou os Estados Unidos, neste domingo (17), de alimentar as tensões no Oriente Médio, um dia do encerramento da viagem do presidente americano, Joe Biden, pela região.

Em uma alusão ao Irã, Biden disse, no sábado, a uma plateia formada por líderes árabes que os Estados Unidos "não vão tolerar que um país tente dominar outro na região, por meio de acumulação militar, incursão e/ou ameaças".

Washington, "ao tentar criar tensões na região, recorreu, mais uma vez, à política de iranofobia e fracassou", reagiu o porta-voz das Relações Exteriores do Irã, Naser Kanani, em um comunicado.

"Essas falsas acusações estão em consonância com a política de agitação de Washington [...] na região", acrescentou.

Biden afirmou ainda que os Estados Unidos "não se afastarão" do Oriente Médio, nem deixarão "um vazio que poderia ser preenchido por China, Rússia, ou Irã".

O presidente russo, Vladimir Putin, deve visitar Teerã em 19 de julho.

Vários líderes árabes e Biden tiveram uma reunião, no sábado, em Jidá, na Arábia Saudita. Depois da cúpula, anunciaram que reforçarão a capacidade conjunta de dissuasão "contra a crescente ameaça" representada por dispositivos aéreos não tripulados, uma provável referência ao Irã, que apresentou, na sexta-feira (15), navios capazes de transportar drones.

Estados Unidos e Israel acusam o Irã de usar drones e mísseis para atacar forças americanas e navios ligados a Israel no Golfo, a fim de desestabilizar a região.

Em Israel, inimigo declarado do Irã, Biden assinou, durante sua viagem, uma parceria estratégica contra Teerã, formando, assim, uma frente comum contra o Irã para garantir que o país "nunca" adquira armas nucleares.

Para Kanani, trata-se de "uma grande demonstração do engano e da hipocrisia" dos Estados Unidos, já que "faz vista grossa ante o regime sionista (termo usado para se referir a Israel), o maior possuidor do arsenal de armas nucleares da região".