Governo norte-irlandês teme volta do IRA e ameaça renunciar

O partido unionista afirma que o assassinato de Kevin McGuigan em Belfast indica que o IRA segue ativo, apesar do Sinn Fein negar de maneira veemente

O chefe de Governo da província britânica da Irlanda do Norte ameaçou renunciar ao cargo em consequência do suposto retorno à atividade do IRA, uma situação que ameaça os avanços conquistados desde o fim do conflito civil.

Peter Robinson disse que ele e os ministros do Partido Unionista Democrático (DUP), que defende a continuidade da região como província britânica, renunciarão, a menos que o Parlamento norte-irlandês suspenda as atividades para enfrentar a crise, o que deixaria o Executivo de unidade entre republicanos e unionistas à beira do colapso.

Os comentários foram feitos depois que um dirigente do Sinn Fein, que governa ao lado do DUP e que deseja ver a Irlanda do Norte como parte da Irlanda, foi detido como parte da investigação do assassinato de um ex-atirador do IRA, o Exército Republicano Irlandês, no mês passado.

O Sinn Fein foi o braço político do IRA durante os 30 anos de violência conhecidos como "The Troubles", que acabaram com o acordo de paz de 1998.

O DUP afirma que o assassinato de Kevin McGuigan em Belfast indica que o IRA segue ativo, apesar do Sinn Fein negar de maneira veemente.

"O DUP deixou claro que não prosseguirá como se nada tivesse acontecido", disse Robinson.

"Se outros desejam que a assembleia continue funcionando com normalidade, apesar da posição do Sinn Fein, chegaremos ao ponto em que, como último recurso, vamos dar este passo final e abandonar o governo", completou.

A questão será definida em uma votação do comitê sobre empresas da Assembleia, na qual o DUP solicitará a suspensão do Parlamento.

Se "não" vencer, a secretária de Estado para a Irlanda do Norte no governo britânico, Theresa Villiers, pode suspender as instituições regionais, mas analistas consideram que o governo de Londres não está a favor da medida.

A renúncia do DUP ao governo pode resultar na convocação de eleições antecipadas.

O vice-primeiro-ministro do governo, Martin McGuinness, do Sinn Fein, afirmou que a suspensão da Assembleia seria um erro.

"Acredito que enviaria uma mensagem negativa e levaria água ao moinho dos que tentam nos levar ao passado", disse.

A Assembleia foi suspensa pela última vez entre 2002 e 2007, em uma disputa sobre supostas atividades de espionagem do IRA no local, o que deixou a Irlanda do Norte sendo governada diretamente por Londres.

Atentados recentes e agressões, que culminaram no assassinato de McGuigan, levaram os unionistas, leais a Grã-Bretanha, a acusar o Sinn Fein de ser desonesto sobre a existência do IRA.

O conhecido republicano Bobby Storey - ex-preso do IRA e presidente do Sinn Fein norte - foi detido na quarta-feira por assassinato.

Harold Good, um pastor metodista que participou na supervisão do desmantelamento das armas do IRA como parte do processo de paz, expressa a preocupação de muitos.

"Poderemos voltar ao ponto de partida", prevê.

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