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Governo dos EUA insiste com Lula sobre nova missão internacional no Haiti

Segundo o ex-chanceler Celso Amorim, a proposta sobre a missão no Haiti foi mencionada por Sullivan, sem que o americano sugerisse a participação do Brasil na empreitada

O Brasil costuma ser lembrado pelos americanos por ter liderar o braço militar da missão que ficou 13 anos no Haiti (Horacio Villalobos/Getty Images)

O Brasil costuma ser lembrado pelos americanos por ter liderar o braço militar da missão que ficou 13 anos no Haiti (Horacio Villalobos/Getty Images)

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Estadão Conteúdo

5 de dezembro de 2022, 19h03

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, falaram sobre a situação do Haiti e a proposta americana de uma missão internacional no país. Como o Estadão revelou, os EUA tentam costurar com aliados uma potencial missão no Haiti e precisam de um país que lidere a proposta. O Brasil costuma ser lembrado pelos americanos por ter liderar o braço militar da missão que ficou 13 anos no Haiti.

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Segundo o ex-chanceler Celso Amorim, a proposta sobre a missão no Haiti foi mencionada por Sullivan, sem que o americano sugerisse a participação do Brasil na empreitada. "O tema do Haiti foi mencionado, o próprio presidente Lula lembrou o empenho que o Brasil teve no passado na questão do Haiti, enfrentando às vezes até oposição interna, e a preocupação que ele tem porque a situação hoje é muito pior. Não vou entrar em detalhes, mas ele [Jake Sullivan] revelou também essa preocupação [com o Haiti] mas não fez nenhum pedido específico ao Brasil", disse.

A proposta dos EUA foi levada a público pelos americanos durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. Os EUA tentam costurar com aliados a potencial missão, que seria endossada pelo órgão sob o Capítulo 7 da carta da ONU, que trata de "ações relativas aos tratados de paz, rupturas da paz e atos de agressão".

EUA e México disseram que iriam apresentar dentro do Conselho de Segurança uma proposta de resolução para autorizar uma força internacional de paz no Haiti, nos termos que têm sido defendidos por Guterres. A resolução não chegou a ser apresentada, em parte porque nenhum país se mostrou disposto a assumir a liderança do processo. O possível estabelecimento de uma relação mais próxima entre EUA e o Brasil, com a eleição de Lula, alimentou os rumores de que o País poderia ficar com este papel.

O Brasil ocupa uma das cadeiras rotativas do Conselho de Segurança desde o início deste ano e permanecerá com voto no colegiado até o fim de 2023. Pessoas envolvidas na transição veem a participação em força multinacional como inoportuna, principalmente por ser fora da ONU. A proposta americana enfrentaria resistência da Rússia, em razão das relações estremecidas entre os dois países por causa da guerra na Ucrânia.

Segundo Amorim, Lula e Sullivan também falaram sobre questões climáticas, sobre a guerra na Ucrânia, sobre a situação política na Venezuela. Sobre as questões climáticas, o ex-chanceler afirmou que os dois discutiram a necessidade de engajamento de EUA e Brasil no assunto, sem debater medidas específicas.

Já em relação a Ucrânia, Amorim afirmou que o debate ficou em torno de análises sobre a guerra e vontade de trabalhar pela paz sem discussão sobre temas concretos. "Dentro do contexto dessa análise, Sullivan mencionou a expectativa de que outros países podem ajudar, mencionou o por exemplo a Turquia na questão dos grãos", disse o ex-chanceler.

Lula defendeu uma nova governança global, com revisão do funcionamento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Além de Amorim, participaram da reunião, pelo lado brasileiro, o petista Fernando Haddad, que deve assumir o Ministério da Fazenda no futuro governo e o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Pelo lado americano, estiveram presentes Sullivan, Juan Gonzalez diretor sênior para assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional, e Ricardo Zuñiga, vice-secretário para assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional.

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