Estados Unidos: Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, em coletiva de imprensa (Win McNamee/Getty Images)
Repórter
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 19h38.
Os Estados Unidos declararam, nesta quarta-feira, 18, que têm “vários motivos” para um eventual ataque ao Irã, enquanto negociam o programa nuclear iraniano em território suíço. A afirmação partiu da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em meio à retomada de tratativas diplomáticas com o governo iraniano.
Questionada por jornalistas se o presidente Donald Trump ainda considera novas ofensivas contra Teerã, ela respondeu: "Há muitas razões e argumentos que poderiam ser apresentados a favor de um ataque contra o Irã".
Segundo Karoline Leavitt, Trump prioriza no momento um acordo diplomático sobre a questão nuclear. No entanto, ela enfatizou que houve poucos avanços nas negociações em Genebra, na Suíça, que foram mediadas por Omã. A porta-voz afirmou que o presidente avalia permanentemente os interesses das Forças Armadas e da população americana ao tratar do tema.
As conversas concentram-se no programa nuclear do Irã, considerado por Washington como uma ameaça estratégica. O governo iraniano insiste que as atividades têm finalidade pacífica, voltadas à geração de energia. Um acordo anterior, firmado durante a gestão de Barack Obama, foi revogado por Trump em seu primeiro mandato, com a retomada de sanções econômicas ao país.
O Irã condiciona avanços diplomáticos ao fim das sanções impostas pelos Estados Unidos, que impactam sua economia. Washington exige garantias de que Teerã não produzirá uma bomba atômica. Em declarações recentes, Trump também mencionou a possibilidade de mudança de regime. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, afirmou que os Estados Unidos não destruirão a República Islâmica.
Durante a rodada de negociações, o Irã anunciou o fechamento parcial do estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. A medida elevou a atenção internacional sobre a segurança energética global. Em resposta, os Estados Unidos deslocaram um porta-aviões ao Oceano Índico e preparam o envio de outra embarcação militar para a região.
No início de janeiro, o Irã enfrentou uma onda de protestos de civis. Organizações de direitos humanos registraram mais de 5 mil mortos após a repressão. O episódio ocorreu em paralelo ao aumento das tensões externas envolvendo o programa nuclear.
Quase simultaneamente às declarações de Karoline Leavitt, Trump publicou em rede social que pode utilizar bases militares para conter eventual ofensiva iraniana. Ele citou a base de Diego Garcia, localizada no Oceano Índico, administrada pelo Reino Unido e utilizada por forças americanas e britânicas. O presidente também solicitou ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que não formalize acordo para arrendar o território às Ilhas Maurício por 100 anos.
A base de Diego Garcia faz parte da estratégia militar dos Estados Unidos no Indo-Pacífico, região considerada central para operações de dissuasão e projeção de força. O tema insere a negociação nuclear em um contexto geopolítico mais amplo, que envolve segurança energética, alianças militares e disputas territoriais.
O território de Diego Garcia, sob soberania britânica, é utilizado como ponto de apoio logístico e operacional por forças dos Estados Unidos e do Reino Unido. O eventual arrendamento às Ilhas Maurício é objeto de debate político no Reino Unido.
O uso da base reforça a capacidade americana de mobilização no Oceano Índico, área que conecta rotas comerciais entre Ásia, Oriente Médio e Europa. O posicionamento ocorre em meio à escalada retórica entre Washington e Teerã e às negociações nucleares conduzidas em solo europeu.