O petroleiro "Grinch": embarcação de 249 metros é monitorada pela Marinha e está no centro de investigação sobre exportação ilegal de petróleo russo (Thibaud MORITZ / AFP)
Redação Exame
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 16h38.
O capitão do petroleiro "Grinch", um cidadão indiano de 58 anos, foi colocado em prisão preventiva neste domingo, 25, por determinação da Procuradoria de Marselha. A embarcação é suspeita de compor a chamada "frota fantasma", rede de navios utilizada por Moscou para exportar petróleo e contornar sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia.
O petroleiro foi interceptado pela Marinha Francesa na última quinta-feira, 22, em uma operação de comando realizada em águas internacionais, entre a Espanha e o norte da África. Sob escolta, o navio chegou ao Golfo de Fos no fim da tarde de sábado e permanece fundeado a 500 metros da costa de Martigues, sob vigilância constante de embarcações militares e lanchas da gendarmaria.
As autoridades francesas investigam a validade da bandeira e dos documentos de navegação do "Grinch". O navio, que possui 249 metros de comprimento, apresenta inconsistências em registros internacionais: consta como "Grinch" na lista de sanções do Reino Unido, mas aparece sob o nome "Carl" nos cadastros da União Europeia e dos Estados Unidos.
A tripulação, também composta por indianos, permanece a bordo enquanto a Procuradoria de Marselha e a gendarmaria marítima de Toulon realizam inspeções técnicas. Para proteger os trabalhos, foram estabelecidas zonas de exclusão naval e aérea ao redor do petroleiro.
O presidente Emmanuel Macron afirmou que a abordagem contou com o apoio de aliados e reiterou a política de tolerância zero contra o financiamento da guerra russa. "Não deixaremos passar nada. As atividades da 'frota fantasma' ajudam a financiar a agressão contra a Ucrânia", declarou o líder francês. Atualmente, a União Europeia mantém 598 embarcações sob sanção por suspeita de operarem nesse esquema.
Este é o segundo caso de interceptação do tipo na França. No ano passado, o petroleiro "Boracay" foi retido sob suspeita semelhante, gerando protestos do presidente Vladimir Putin, que classificou a ação francesa como um ato de "pirataria".
(Com Agência AFP)