Fernández encontra papa Francisco e busca apoio para negociar com FMI

Após receber apoio de líderes europeus na negociação com o FMI, o presidente argentino se encontra nesta quinta-feira com o papa Francisco em continuação de sua viagem pela Europa

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O presidente argentino, Alberto Fernández, vai em busca de uma dose de "ajuda divina" na negociação das dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em continuação de sua viagem pela Europa, que iniciou nesta semana, o mandatário argentino se encontra nesta quinta-feira, 13, com o conterrâneo papa Francisco no Vaticano.

Nos últimos dias, Fernández já passou por outros países europeus, em uma sequência de viagens destinada a angariar apoio para a negociação da dívida argentina com o FMI. Uma parcela do montante vence no fim deste mês, e a Argentina, imersa na crise econômica da covid-19, tenta um acordo para adiar o pagamento.

Fernández já havia se encontrado com Francisco no Vaticano em janeiro de 2020, antes do começo da pandemia. Na ocasião, os dois trocaram livros e conversaram por 44 minutos -- segundo o jornal argentino Clarín, foi o dobro do tempo que o papa dedicou ao antecessor, o ex-presidente Mauricio Macri (2015-19).

Além da conversa com o papa nesta quinta-feira, a expectativa é que seja confirmada uma agenda com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva. Fernández prorrogou até sexta-feira sua estadia na Europa, que terminaria hoje, na expectativa de se encontrar com Georgieva pessoalmente.

Ao longo da semana, o presidente argentino obteve declarações de apoio de Portugal, Espanha e, mais recentemente nesta quarta-feira, da França, quando esteve em Paris para um almoço com o presidente Emmanuel Macron. "Conheço seus esforços, presidente, e a França está ao seu lado", disse Macron sobre a renegociação da dívida argentina.

No encontro, Fernández também recebeu um livro com uma dedicatória do presidente francês, que escreveu em espanhol parabenizando o colega argentino pela legalização do aborto no país -- aprovada no Congresso no fim do ano passado após decreto presidencial.

Macron e Fernández em almoço em Paris: presidente argentino recebeu apoio do colega francês na negociação da dívida

Macron e Fernández em almoço em Paris: presidente argentino recebeu apoio do colega francês na negociação da dívida (AFP/AFP)

A viagem de Fernández a Europa acontece um mês depois de seu ministro da Fazenda, Martín Guzmán, ter ele próprio feito um tour pela região para angariar aliados. Também hoje, Guzmán, que está na Itália ao lado do presidente, participa de um evento ao lado de um representante do FMI e da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen (também ex-diretora do FMI).

Na semana que vem, Fernández deve conversar ainda com a chanceler alemã, Angela Merkel, mas por videoconferência. Obter o apoio dos principais países europeus será crucial para o processo de negociação argentino.

Ao todo, a dívida argentina com o FMI, contraída na gestão Macri, é de mais de 44 bilhões de dólares -- o valor é mais de 60% de todos os créditos pendentes que têm o FMI com todos os países do mundo. Fernández classifica o montante como "impagável".

Os argentinos buscam mudar a taxa de juros, que pode obrigar o país a pagar, só neste ano, quase 1 bilhão de dólares.

Além da dívida com o FMI, a Argentina deve também a credores internacionais e alguns fundos abutres, mas essa parte da dívida foi negociada sobretudo em 2020 com condições relativamente vantajosas para a Argentina -- movimento que foi lido como vitória do governo Fernández e do ministro Guzmán.

O PIB argentino encolheu 10% em 2020 diante da crise do coronavírus. Enquanto isso, como em outros lugares da América do Sul, há preocupação crescente com a variante brasileira do coronavírus, a P1 encontrada em Manaus. No país, que tem pouco mais de 40 milhões de habitantes (o tamanho do estado de São Paulo), a média móvel de mortes subiu de menos de 200 vítimas por dia em março para quase 450 nos últimos dias.

Cerca de 17% da população do país foi vacinada ao menos com a primeira dose da vacina contra a covid-19, taxa similar à brasileira.

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