Mundo

'Faremos o que quisermos', diz Trump durante assinatura do Conselho de Paz

Órgão internacional presidido por Trump começa com apoio de aliados e resistência de europeus

Conselho de Paz de Trump: presidente dos EUA lança órgão internacional em Davos com atuação global e poderes concentrados fora da ONU (Harun Ozalp/Anadolu via Getty Images)

Conselho de Paz de Trump: presidente dos EUA lança órgão internacional em Davos com atuação global e poderes concentrados fora da ONU (Harun Ozalp/Anadolu via Getty Images)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 07h53.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 08h26.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou a criação com Conselho de Paz nesta quinta-feira, 22.

"Assim que esse conselho estiver completamente formado, nós poderemos fazer o que quisermos", disse o republicano durante o discurso.

A assinatura do tratado aconteceu logo após a fala do presidente. Representantes de 19 países, que já estavam em Davos para o Fórum Econômico Mundial que acontece nesta semana, aproveitaram o evento para oficializarem a assinatura do Conselho.

Argentina, Armênia, Azerbaidjão, Bulgária, Hungria, Indonesia, Casaquistão, Jordania, Paquistão, Kosovo, Paraguai, Catar, Arabia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Mongólia, Marrocos e Bahrein assinaram suas participações no Conselho de Paz de Trump. 

Durante o discurso, o presidente citou os dados econômicos dos Estados Unidos e comemorou o tratado de paz na Faixa de Gaza. Segundo Trump, "restam poucos focos de incêndio para acabar com a guerra em Gaza".

Nesta manhã, 22, a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que iria participar dos signatários.

"Ainda há muito trabalho a ser feito. Não estaremos entre os signatários hoje", afirmou Cooper em entrevista à BBC em Davos.

"Este é um tratado jurídico que levanta questões muito mais amplas e também nos preocupa que o presidente (Vladimir) Putin faça parte de um órgão que fala sobre paz quando ainda não vimos nenhum indício de que se comprometerá com a paz na Ucrânia", completou a ministra.

O que é o Conselho de Paz?

De acordo com o texto fundador, o Conselho de Paz será presidido por Trump, que também atuará separadamente como representante dos Estados Unidos. Apenas o presidente do conselho —Trump — pode convidar novos membros e revogar participações, salvo veto por maioria qualificada de dois terços dos Estados integrantes.

O conselho executivo terá sete membros fixos e será liderado por Trump. Entre os nomes confirmados estão o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o empresário Jared Kushner, genro do presidente, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, além de executivos do setor financeiro e representantes ligados ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA.

O estatuto do Conselho afirma que sua missão é “promover a estabilidade, restabelecer uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura” em regiões afetadas por conflitos, ao mesmo tempo em que critica “instituições e enfoques que falharam repetidamente”, em referência indireta à ONU.

Para integrar o Conselho de forma permanente, os países convidados podem ser solicitados a aportar até US$ 1 bilhão no primeiro ano de funcionamento. Estados que fizerem contribuições acima desse valor ficam isentos do limite de mandato de três anos previsto para os demais membros.

A Casa Branca afirmou que as contribuições são voluntárias, mas disse que países que desejem participar ativamente da supervisão dos projetos devem estar dispostos a realizar aportes significativos.

Convites enviados e respostas em avaliação

A Casa Branca informou que diversos outros países receberam convites, mas ainda não formalizaram resposta. Entre eles estão Brasil, Canadá, Itália, Alemanha, Reino Unido, Índia, Coreia do Sul e China.

O governo brasileiro confirmou, por meio do Itamaraty, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o convite, mas ainda não respondeu. A China declarou que “defende firmemente o sistema internacional com a ONU como eixo central”, sem indicar adesão.

A Rússia afirmou que analisa os termos do convite. Pouco depois, Trump declarou que o presidente russo, Vladimir Putin, “aceitou” integrar o conselho, embora Moscou tenha informado que a decisão final dependerá de esclarecimentos diplomáticos.

Países que recusaram

Alguns governos já indicaram que não pretendem participar do Conselho da Paz. Entre eles estão:

  • França
  • Noruega
  • Reino Unido
  • Ucrânia, cujo presidente, Volodymyr Zelensky, afirmou não prever participação em um órgão que inclua a Rússia

Como funciona o Conselho da Paz

De acordo com o estatuto preliminar, o Conselho da Paz terá mandato para atuar em conflitos internacionais, promover estabilidade política e supervisionar processos de reconstrução. O texto critica diretamente instituições multilaterais existentes, apontando falhas recorrentes — uma referência indireta à ONU.

Trump será o primeiro presidente do conselho e terá poder exclusivo para convidar novos membros. Os mandatos terão duração de até três anos, renováveis. Países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano não estarão sujeitos a esse limite.

A Casa Branca afirma que o órgão começa com foco na reconstrução de Gaza, mas terá atuação global.

Acompanhe tudo sobre:Donald Trump

Mais de Mundo

EUA usaram IA em operação que capturou Nicolás Maduro, diz jornal

Em Munique, Rubio afirma que EUA querem 'uma Europa mais forte'

Principal opositor de Putin foi morto por veneno raro encontrado em rã, dizem europeus

Parentes de presos políticos começam greve de fome na Venezuela