Exército egípcio prende lideranças da Irmandade Muçulmana

A detenção do primeiro presidente eleito democraticamente no Egito é a primeira etapa de uma série de medidas das forças de segurança

O presidente egípcio destituído pelo Exército, Mohamed Mursi, foi transferido ao amanhecer para a sede do Ministério da Defesa, enquanto toda a sua equipe permanece detida em um edifício militar.

A detenção do primeiro presidente eleito democraticamente no Egito é a primeira etapa de uma série de medidas das forças de segurança, que têm fechado o cerco à Irmandade Muçulmana, movimento ao qual pertence Mursi, expedindo 300 mandatos de prisão contra seus membros.

O Exército suspendeu a Constituição e nomeou o presidente da Corte Constitucional, Adly Mansour, como presidente interino.

O golpe militar no país árabe mais populoso do mundo provoca inquietação no exterior. Os Estados Unidos analisam as implicações legais na importante ajuda militar que concedem ao Egito, enquanto a União Europeia pediu a realização imediata de novas eleições presidenciais.

Após o anúncio da destituição, um vídeo no qual o chefe de Estado islamita diz ser "o presidente eleito do Egito" fez aumentar o temor de novos episódios de violência.

Na Praça Tahrir do Cairo, milhares de egípcios celebraram durante toda a noite a queda de Mursi, menos de três anos depois de terem festejado no mesmo lugar a renúncia de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

Enquanto isso, partidários de Mursi atacaram prédios públicos no norte do país.

Sete deles foram mortos em confrontos com as forças de ordem em Marsa Matrouh e em Alexandria, na costa mediterrânea. Três opositores também morreram em combates contra militantes favoráveis a Mursi em Al-Minya (centro).


"É um novo capítulo para a história. Nos livramos de Mursi e da Irmandade Muçulmana", declarou um manifestante agitando uma bandeira.

Desde 26 de junho, 57 pessoas morreram, sendo dez na noite de quarta-feira em confrontos com as forças de segurança e nos choques entre partidários e opositores a Mursi.

O Ministério do Interior advertiu que responderá com firmeza aos distúrbios e tanques foram mobilizados nas ruas do Cairo.

Mursi detido por militares

Entre outras medidas contra a Irmandade Muçulmana, que chegou ao poder no ano passado após 30 anos de clandestinidade, o Exército colocou em prisão domiciliar a cúpula presidencial e foram emitidas 300 ordens de prisão contra os membros do movimento. Dois de seus líderes foram detidos, Saad al-Katatni e Rashed Bayumi.

Mohamed Badie, o guia supremo da Irmandade Muçulmana, e seu adjunto, Khairat al-Chater, também foram presos.

Após a sua destituição, "Mursi e toda a equipe presidencial (foram colocados) em prisão domiciliar no clube da Guarda Republicana da presidência", antes de o presidente ser "separado do grupo e levado ao Ministério da Defesa", declarou Gehad al-Haddad, membro da Irmandade Muçulmana.

Um militar indicou à AFP que o Exército deteve Mursi "preventivamente", levando a entender que o ex-chefe de Estado poderá ser processado, enquanto uma fonte judicial indicou à AFP que a promotoria iniciará na segunda-feira uma audiência por "insultos à Justiça" e que outras acusações poderão ser apresentadas contra ele.


A Irmandade Muçulmana reagiu, denunciando um "Estado policial", e os islamitas convocaram manifestações pacíficas para uma "sexta-feira de rejeição".

Os serviços de segurança também interromperam o sinal de transmissão do canal da Irmandade e faz buscas nos escritórios da Al-Jazeera Mobacher, que exibiu o vídeo de Mursi após a queda do governo.

As Forças Armadas, que dirigiram o país por 16 meses entre a renúncia de Mubarak e a eleição de Mursi, em junho de 2012, não informaram o tempo da transição antes das eleições gerais.

As consultas para formar um novo governo, que terá "plenos poderes" e reunirá "todas as forças nacionais", já começaram, segundo o opositor Amr Mussa, e o Conselho Constitucional indicou que seu chefe tomará posse.

O Exército prometeu permanecer "distante da política", segundo seu chefe, o general Abdel Fattah al-Sissi, que parece ser o novo homem forte do país.

Ele apresentou, ao lado de líderes religiosos cristãos e muçulmanos e do representante da oposição, Mohamed ElBaradei, um "mapa do caminho" que, segundo ElBaradei, "atende às reivindicações do povo".

Mal-estar no exterior 

A derrubada de um presidente democraticamente eleito e a suspensão da Carta constitucional por um período de transição indeterminado criaram algum mal-estar no exterior e suscitaram diferentes reações.


Evitando falar de um golpe de Estado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se disse "profundamente preocupado" com a situação do país árabe, enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o restabelecimento rápido do governo civil e a Rússia pediu "moderação" às forças políticas do Egito para que o país permaneça no caminho "democrático".

A União Europeia também convocou todas as partes envolvidas a "voltarem rapidamente ao processo democrático", com novas eleições presidenciais, como prometeram os militares ao suspenderem a Constituição.

Berlim denunciou "um grande fracasso para a democracia no Egito", enquanto Londres, indicando que "não apoia intervenções militares", manifestou sua intenção de cooperar com as novas autoridades.

E na região, o rei Abdallah da Arábia Saudita foi o primeiro líder estrangeiro a parabenizar o novo presidente interino, Adly Mansour - antes mesmo de Mansour ter prestado juramento. Abdallah o chamou de "presidente da irmã República Árabe do Egito".

Na direção contrária, a Turquia considerou antidemocrática a derrubada de Mursi.

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